Saber Viver Jovem

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Jovem » Saber Viver Jovem n.02

02/2009

Remédios: uma relação de amor e ódio

SABE AQUELE AMIGO IMPLICANTE, QUE ENCHE O SEU SACO, MAS TE DÁ A MAIOR FORÇA QUANDO VOCÊ PRECISA? NÃO PARECE COM O SEU REMÉDIO?

 Tá legal! Todo mundo diz que tomar remédio todos os dias é um saco. Principalmente quando eles dão alguns efeitos colaterais. E quando você vai na consulta e antes de perguntar qualquer coisa, o médico fala logo: você tá tomando os remédios direitinho? “Que saco! Não agüento mais ouvir esta pergunta”, desabafa Mariana*, 16 anos, durante uma oficina com a Saber Viver.

Pois é, muita coisa na vida não é legal em algumas horas, mas pode ter uma importância tremenda para a vida da gente. Por exemplo, existem cuidados que devemos ter todos os dias, como tomar banho, escovar os dentes, dormir bem, fazer exercícios… Isso tudo faz parte de um pacote, o pacote da saúde. Como tudo na vida tem os lados bons e ruins, cuidar de você mesmo pode ser um saco, às vezes, mas no final, pode ter certeza: vai valer a pena!

Uma turma que vive com HIV/aids fez uma lista das coisas boas e ruins sobre tomar medicamento. Alguns já se habituaram. A maioria já nasceu com o vírus. O remédio virou parte da rotina. Outros, que estão começando o tratamento agora, acham que vai ser um pouco mais difícil. Mas uma coisa é certa: tomar medicamento hoje é bem mais fácil do que há tempos atrás, quando a quantidade de comprimidos e cápsulas era bem maior. Agora, fala sério, todo mundo concorda que receber um exame de carga viral indetectável e de CD4 acima de 500, não tem preço!

É melhor que tirar 10 na prova de matemática e de português, não é?

O que é?
EXAME DE CARGA VIRAL – é um o exame de sangue que a gente faz para medir a quantidade de vírus que tem no nosso corpo. Quando o resultado dá indetectável é porque a quantidade de vírus é tão pequena que o exame não consegue encontrá-los dentro do corpo. Mas se você dormir no ponto e deixar de tomar os remédios, essa quantidade pequena volta a se multiplicar.

EXAME DE CD4 – é um exame de sangue que conta o número de células CD4 no corpo. O vírus, para se reproduzir, destrói essas células. Elas são muito importantes para a saúde porque alertam o organismo quando ele é invadido por algum vírus. Por isso, são chamadas de células de defesa. Se a quantidade dessas células for muito baixa, a pessoa corre o risco de ficar doente. O ideal é acima de 350. Quando tá mais baixo que 200, o perigo aumenta, e o médico deve tomar algumas providências.

Cada um com a sua história
MENINO QUE TEM DIABETES DESABAFA: “NÃO POSSO COMER DOCE”
Aos doze anos, Maison de Andrade foi ao médico para um exame de rotina e acabou descobrindo que tinha Diabetes tipo 1, uma doença que, como a aids, ainda não tem cura mas tem tratamento. Hoje, aos 17 anos, Maison aprendeu a se cuidar e lamenta a morte do primo, diabético também. O menino não segurou a onda: ingeriu um pacote inteiro de açúcar e morreu por isso.

Minha dieta parece regime de emagrecimento. Não posso comer açúcar de jeito nenhum e tenho que evitar sal e gordura. De manhã, costumo comer um pão francês e um copo de leite. Não posso comer mais de um pão. No meio da manhã, às 10h, como uma fruta. Quando estou no colégio, é a mesma coisa, pois lá tem um papel com a minha dieta.

Eu mesmo aplico as injeções de INSULINA, me acostumei. Tenho que tomar três todos os dias, às 8h, às 12h e às 21h, cada hora numa parte do corpo: barriga, coxa ou braço. Além da dieta e das injeções, tenho que ir ao médico de três em três meses.

Pra namorar dou um jeito: minha namorada sai da festa junto comigo e cada um vai pra sua casa cedo. Ela sabe que eu tenho que tomar o remédio. Bom, mas às vezes dou umas escapadinhas…

O pior é não poder ficar até tarde nas festas. Tenho que dormir sempre no mesmo horário por causa do controle da insulina no meu organismo. Quando a GLICOSE cai, tenho que estar acordado para dar um jeito. Em geral, chupo uma bala ou tomo um copo de refrigerante. É o único momento em que como açúcar. Também como um pão que dá um efeito mais lento e assim já garante que a glicose não vai cair logo depois.

Hoje em dia sou até quietinho. (Risos) Quando eu tinha 12 anos, não agüentava mais o tratamento e apliquei a insulina no meu cachorro durante três semanas. O cachorro quase morreu e eu passei três dias no CTI.

O que é?
O diabetes é uma doença em que o organismo não produz insulina ou não consegue utilizá-la adequadamente.
O diabetes juvenil, também chamado de diabetes tipo 1, atinge crianças e adolescentes até 19 anos. Os sintomas surgem de repente, e não há como prever nem prevenir.
SINTOMAS
Muita sede, vontade de urinar freqüente, perda de peso, fome exagerada, visão embaçada, infecções repetidas na pele ou mucosas, machucados que demoram a cicatrizar, cansaço inexplicável ou dores nas pernas por causa da má-circulação.
TRATAMENTO
Pelo menos duas injeções de insulina por dia, dieta rigorosa, prática de atividades físicas, controle glicêmico diário, assistência médica constante e exames freqüentes.
RISCOS
Se não se tratar, o diabético pode ter problemas na vista (podendo ficar cego), infecções, pode ter problemas renais e cardiovasculares (podendo chegar à amputação das pernas), entre outras complicações.
INSULINA
Um hormônio produzido pelo pâncreas que auxilia o organismo a utilizar a glicose. É a chave que abre as portas das células permitindo a entrada da glicose, que, por sua vez, alimenta as células.
GLICOSE
Forma simples de açúcar que serve como combustível para o organismo.

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