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Solução » Solução n.05

02/2005

Resistência aos anti-retrovirais

A adesão irregular ao tratamento contra a aids é a principal responsável pelo surgimento de mutações do HIV resistentes aos medicamentos

Em um tratamento tão complexo e de longo prazo quanto o antiretroviral é muito comum que a adesão dos pacientes apresente irregularidades capazes de provocar uma diminuição nos níveis de anti-retroviral no sangue. Esse é o principal fator para que o HIV, ao se reproduzir, apresente mutações em seu material genético. Mas não é o único: outros medicamentos, alimentos (ou falta de alimentos), álcool, etc podem dificultar a ação dos anti-retrovirais e diminuir sua absorção pelo organismo.

Quando isso acontece, vírus mutantes resistentes aos anti-retrovirais podem aparecer, o que ocasiona uma série de problemas: o esquema terapêutico adotado deixa de surtir efeito, há um aumento no nível de carga viral do HIV, uma redução das células T CD4+ e a imunidade

do paciente fica vulnerável. Nesse momento, introduzir um novo esquema antiretroviral capaz de controlar a multiplicação do HIV pode ser a solução. Para auxiliar a troca da terapia, muitos médicos têm
utilizado o exame de genotipagem, que identifica as mutações sofridas pelo HIV (veja detalhes na nota abaixo).
Esse tem sido um grande desafio para pesquisadores e médicos que se dedicam a combater a aids: criar e ter em mãos anti-retrovirais aptos a atacar o HIV em várias frentes, vencendo sua capacidade de se modificar e de resistir às drogas.

***

MS quer ampliar rede de genotipagem

O exame de genotipagem do HIV é um importante instrumento para o tratamento do soropositivo. Através do estudo da seqüência do material genético do vírus, esse exame identifica se há alguma mutação e, em caso positivo, indica se a mutação está relacionada com a resistência a alguma droga.

Hoje, no Brasil, existem 12 laboratórios públicos credenciados para realizar o exame de genotipagem de forma gratuita. Esta rede deve ser ampliada até meados de 2005, com o credenciamento de outros laboratórios, já que a demanda por exames de genotipagem tem aumentado muito.

Os critérios para a realização do exame de genotipagem são muitos e rígidos. Para que o exame gratuito seja aprovado pelo Ministério da Saúde, o paciente deve apresentar uma elevação da carga viral maior que 0,5 log (ou 3 vezes o valor da carga viral detectada com o esquema atual) após 6 meses de esquema terapêutico potente contendo ao menos um Inibidor de Protease. Além disso, a carga viral do paciente deve ser de pelo menos 5.000 cópias/ml.

Segundo Marília Santini, pesquisadora do Hospital Geral de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, é importante colher o sangue para realização do exame enquanto as drogas que estão falhando ainda estão sendo tomadas. “Quando o tratamento é interrompido, os vírus mutantes diminuem muito em quantidade”, explica a médica. “Uma interpretação equivocada do exame, que é de extrema complexidade, pode levar a uma mudança que pode não ser a mais adequada para o caso específico do paciente”, conclui.

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