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Circulador » Circulador n.04

12/2009

Retratos da inclusão social

Acesso é a palavra de ordem para iniciativas de promoção da saúde que lidam com populações nas mais variadas situações de vulnerabilidade. Violência, necessidades especiais, falta de estrutura familiar. Apesar das dificuldades em lidar com as diferenças, algumas iniciativas começam a conquistar resultados positivos.

Mães de crianças assistidas pela ONG Ressurgir trabalham para gerar renda e garantir atendimento dos filhos.

Hospitais promovem saúde integral

Laços de solidariedade para promover a inclusão social. Esta é a estratégia da Associação Saúde Criança, que trabalha há 18 anos para reestruturar famílias de crianças atendidas no Hospital da Lagoa. Muitas vezes os pequenos pacientes recebem alta, mas como não têm estrutura para continuar o tratamento em casa entram em um perigoso ciclo de internação-reinternação. “A gravidade do estado de saúde de uma criança que chega ao hospital é só a pontinha do iceberg. Por trás dos sintomas, existem muitos problemas sociais”, afirma a médica Vera Cordeiro, fundadora da Associação Saúde Criança. Desde o início das atividades da

Promover o desenvolvimento e despertar o desejo de experimentar e criar das crianças é um dos objetivos da brinquedoteca da ONG Ressurgir

ONG, o Hospital da Lagoa registra a redução de 60% nas reinternações infantis. Para conquistar estes resultados, a iniciativa opera a partir do Plano de Ação Familiar, que engloba cinco áreas: saúde, profissionalização, moradia, educação e cidadania. O modelo inspirou a criação de outras organizações vinculadas ao sistema público de saúde, que seguem a mesma metodologia e hoje compõem a Rede Saúde da Criança. Na Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC-RJ) atuam as ONGs Reagir, no Hospital da Piedade; Repartir, no Hospital Jesus; Repensar, no Hospital Loreto; Responder, no Hospital Miguel Couto; Retribuir, na Maternidade Carmela Dutra e Ressurgir, no Hospital Salles Neto. “Educando para a saúde, para a vida e para a geração de trabalho e renda conquistaremos a inclusão social”, aposta Albenita de Barros Correia, Presidente da ONG Ressurgir

Hanseníase e promoção da cidadania

A hanseníase tem cura, o tratamento está disponível no SUS e, mesmo assim, a doença ainda é fonte de preconceito. A falta de informação leva à discriminação e dificulta a prevenção e o tratamento. “Muitas vezes o paciente não percebe que está doente e as incapacidades resultantes das lesões neurológicas são absorvidas como parte do patrimônio da ‘normalidade’”, alerta a dermatologista Raquel Tardin, coordenadora do Programa de Controle da Hanseníase no município do Rio de Janeiro. A prevenção das incapacidades físicas é possível quando o diagnóstico é precoce e o tratamento imediato. No Rio, 18 pólos de prevenção e tratamento de agravos em hanseníase garantem melhor qualidade de vida a quem tem a doença, promovendo tratamento clínico, assistência social, sessões de fisioterapia e terapia ocupacional.

Bem estar do portador de deficiência

A missão do Centro Integrado de Atenção à Pessoa Portadora de Deficiência (CIAD), no Rio de Janeiro, é valorizar as potencialidades da pessoa com deficiência. “Pessoas com as mesmas lesões escrevem histórias diferentes. Costumamos dizer que o meio pode tornar a pessoa mais deficiente do que ela realmente é”, destaca a pediatra Sandra Lobo, Coordenadora do Programa de Reabilitação da Prefeitura do Rio de Janeiro. O trabalho tem início nas maternidades. “Quanto mais cedo a reabilitação começar, maior a possibilidade de a criança alcançar um desenvolvimento próximo de outras realidades”, Sandra reconhece. No CIAD, uma ampla rede de serviços inclui diagnóstico clínico, uso adequado de recursos tecnológicos para o tratamento e ações interdisciplinares de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

Autonomia para fortalecer a saúde mental

Criadas em 2000 como parte integrante da Política de Saúde Mental do Ministério da Saúde, as Residências Terapêuticas colaboram para a reintegração social de quem sai dos hospitais psiquiátricos. São casas e apartamentos destinados a pessoas com transtornos mentais que permaneceram em longas internações e não podem – ou não querem – retornar às suas famílias. No Rio, 169 pacientes estão em acompanhamento. Para ser encaminhado a uma moradia assistida, é preciso desenvolver autonomia para responder às exigências do cotidiano. “A autonomia é o coração do nosso trabalho. Nosso horizonte é a cidade, não simplesmente a casa, e os pacientes recebem apoio contínuo para a reconstrução do cotidiano”, considera a psicóloga Patrícia Albuquerque, coordenadora dos Serviços Residenciais Terapêuticos no Rio de Janeiro.

Violência: uma questão de saúde

A violência é um dos principais problemas do Rio de Janeiro e influencia diretamente a qualidade de vida da população. De uma maneira geral, o apoio às pessoas envolvidas em situação de violência se limita ao atendimento emergencial. Para alterar esta realidade, o Núcleo de Promoção da Solidariedade e Prevenção das Violências da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC-RJ) envolve profissionais de saúde, educação e assistência social na construção de uma cultura de paz. Treinamentos regionais ampliam as ações educativas, a notificação e a qualidade da atenção nos serviços de saúde. Também estão sendo estabelecidas parcerias para fortalecer a rede de proteção às pessoas em situação de vulnerabilidade. “Estamos implantando a nova ficha de notificação da violência, incorporada ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação. São informações importantes para elaboração de políticas públicas de acordo com as realidades locais”, descreve a assistente social Jeanne de Souza Lima, co-coordenadora do Núcleo.

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