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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.01

07/2005

Revelando o diagnóstico

A forma como a equipe de saúde conduz o momento da revelação do diagnóstico de infecção pelo HIV para o paciente pode determinar o futuro do seu tratamento

Muito mais do que anunciar se o teste que detecta a infecção pelo HIV foi reagente ou não-reagente, psicólogos, assistentes sociais, médicos e enfermeiros devem estar preparados para conversar sobre o que é a aids e seu tratamento e, acima de tudo, estar dispostos a conscientizar o usuário sobre os riscos à saúde a que ele vem se expondo. Esse trabalho inicia antes do primeiro exame, no aconselhamento pré-teste, que pode ser feito em grupo ou individualmente. De acordo com a médica Débora Fontenelle, que desde 98 trabalha em Centros de Testagem e Aconselhamento no Rio de Janeiro, é fundamental que o usuário perceba quais são as situações de risco a que se expõe, para que possa minimizálas. Ao mesmo tempo, é essa percepção que vai prepará-lo para um possível resultado positivo. A assistente social Maria Filomena Fernicchiaro, do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, concorda: “Aqueles que elaboraram anteriormente um possível resultado positivo para o HIV aceitam, mais facilmente, a notícia”.

ACONSELHAMENTO TRANQÜILIZA PACIENTE 
A sensibilidade do profissional de saúde no momento do diagnóstico é essencial, pois as reações dos usuários são as mais diversas. De acordo com Maria Filomena Fernicchiaro, todas as orientações devem ser dadas com muita cautela, pois “o paciente necessita de tempo para perceber o que aconteceu e as novas situações que vai enfrentar”. Para Débora Fontenelle, é importante esclarecer todas as dúvidas que surgirem. “É preciso falar sobre os exames que devem ser feitos e sobre as consultas médicas e explicar que são esses procedimentos que vão indicar ao médico o melhor momento para iniciar a terapia antiretroviral. É bom dizer também que os remédios são distribuídos pelo SUS. Estar bem informado gera menos angústia”, diz a médica, lembrando que não adianta passar muita informação. “Não há como assimilar muita coisa nessa hora”. As duas profissionais costumam estimular os que acabam de saber o diagnóstico a procurar as organizações não-governamentais que atuam na área de aids e os grupos de pessoas soropositivas que se formam nos próprios hospitais. Além de compartilhar experiências, nestes locais eles poderão saber mais sobre seus direitos.

A EQUIPE IDEAL
Débora Fontenelle acredita que, para o aconselhamento pré-teste e pós-teste, o ideal é contar com uma equipe multidisciplinar, de pelo menos dois profissionais. No Rio de Janeiro, que sofre um estrangulamento da rede de saúde, é recomendável, segundo a médica, que esses profissionais sejam experientes no reconhecimento de sinais e sintomas relacionados à aids. “Cada dia que passa, chegam mais pacientes já adoecidos, mas sem o diagnóstico sorológico para o HIV. É fundamental ter profissionais capazes de dar uma orientação mais específica e resolutiva a essas pessoas”, diz ela. A médica revela ainda a experiência gratificante de trabalhar no CTA com voluntários de ONG/aids, que muitas vezes também são soropositivos. “Para quem está recebendo o diagnóstico de infecção pelo HIV é muito rico ver outra pessoa com HIV que trabalha e está saudável há muitos anos. O paciente aproveita para fazer mil perguntas sobre saúde e direitos, e o voluntário dá seu testemunho”, conta Débora.

CORPO E MENTE SAUDÁVEIS PODEM ADIAR INICIO DA TERAPIA

Maria Filomena Fernicchiaro acredita que a partir do momento em que o usuário se descobre portador do HIV é importante que ele adote hábitos de vida mais saudáveis. “Dessa forma, ele pode adiar o início da terapia anti-retroviral”, diz ela. Débora Fontenelle ressalta que é importante aconselhar o paciente a fazer coisas que o deixem mais feliz. “É uma ótima maneira de manter a imunidade alta. Se entrar em depressão, a imunidade deprime também. Muitas vezes, um acompanhamento psicológico é indicado”, diz a médica.

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