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Circulador » Circulador n.03

12/2007

Rompendo padrões

Creche da prefeitura aposta no potencial do homem educador

Rodrigo de Brito Santos é recreador da Creche Paulo Niemeyer, da Prefeitura.

A Creche Institucional Paulo Niemeyer, para filhos de 0 a 4 anos dos funcionários da Prefeitura do Rio de Janeiro, desde 2006 inclui homens em seu quadro de recreadores. Hoje já são cinco, em um total de quarenta profissionais. Os rapazes, de idades variadas, são universitários dos cursos de educação física e educação artística, além de dois pedagogos.
A diretora da creche, Rosângela Almeida de Oliveira, lembra dos embates que travou quando o primeiro educador do sexo masculino foi contratado: “Houve um estranhamento por parte de algumas famílias. Elas não aceitavam que um homem fosse capaz de dar banho, trocar fraldas, pentear e dar comida às crianças. Os pais se
perguntavam como um outro homem poderia fazer algo que eles próprios nunca fizeram”.
Rosângela conta que, apesar de uma das mães ter retirado seu filho da creche, novos recreadores homens foram contratados. “Foi um processo difícil, mas positivo”, acredita. “A vinda desses educadores trouxe à tona questões de foro íntimo, como casos de mães que sofreram abuso sexual, e talvez tenha ajudado os pais a
refletirem sobre suas próprias posições”, diz.

Pais e filhos aprovam a novidade
Maria Elisabete Pereira Dias, funcionária da Prefeitura e com uma filha na creche, admite que levou um choque ao ser informada pela direção sobre a contratação de um homem como recreador: “A princípio foi preconceito meu, eu sei. Fiquei preocupada com a competência daquele homem. Mas o carinho da minha filha com ele,
e dele com minha filha, me convenceram que a escolha foi acertada. Além disso, muitas crianças não têm a figura masculina dentro de casa, e essa é uma referência importante”.
Pais de outra criança na creche, Ricardo e Rosângela Gomes contam que tiveram muito receio no começo, mas aprovaram a contratação dos rapazes ao perceber que a seleção dos profissionais foi muito boa. “Minha filha adorou a novidade, sempre fala das brincadeiras”, diz a mãe.

Novo modelo de homem

“O Brasil mudou e o homem deve acompanhar essas mudanças”, acredita Rodrigo de Brito Santos, de 24 anos, recreador da creche da Prefeitura. Graduado na escola de Formação de Professores e Pedagogia, ele afirma que escolheu a profissão por vocação e se vê contribuindo para que as crianças possam enxergar novas possibilidades de ser homem, um homem que educa e cuida. E mais: “Acredito que minha presença pode fazer com que muitos pais repensem sua relação com os filhos”. Rodrigo tem certeza de que será um pai melhor, livre de preconceitos, quando este momento chegar. “Um pai pode e deve cuidar de seus filhos, ser afetivo, trocar fraldas, dar banho”, diz ele.

Na educação infantil, cresce a participação dos homens

A diretora do departamento de Educação Infantil da SME, Vera Lúcia Lucas, conta que uma das estratégias para aproximar o pai da educação é a promoção, no mês de agosto, do Congresso de Responsáveis. “Nesse evento, cuja presença masculina já chega a 30%, organizamos palestras, oficinas, apresentações culturais e brincadeiras. Sempre tratamos da importância da responsabilidade compartilhada, pai e mãe em igualdade de importância na criação e educação dos filhos”, diz ela. Outra atividade que repercute positivamente são os encontros aos sábados, que os pais freqüentam cada vez mais: “Hoje, o pai está mais próximo do filho!”, comemora Vera Lúcia.

Vale a pena

“Os recreadores do sexo masculino deram um tom diferente à creche. Aos poucos, as famílias e os outros funcionários passaram a admirar a atuação e o comprometimento destes profissionais. Valeu a pena ousar!” Rosângela Almeida de Oliveira, diretora da Creche Paulo Niemeyer.

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