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Saber Viver » Saber Viver n.45

12/2009

Revista Saber Viver faz 10 anos

SÃO 10 ANOS, 45 EDIÇÕES e 90 MIL EXEMPLARES DISTRIBUÍDOS EM MAIS DE 680 UNIDADES DE SAÚDE E ONGS de 283 CIDADES EM TODAS AS REGIÕES DO PAÍS

Em 1999, apenas alguns serviços de saúde do Rio de Janeiro recebiam os 6 mil exemplares da revista. Hoje, dos grandes centros urbanos aos municípios mais afastados, todos os Estados brasileiros têm acesso aos 90 mil exemplares impressos a cada edição. Nestes 10 anos, a Saber Viver rompeu fronteiras e chegou também a outros países, como Cuba, Inglaterra, Portugal e países africanos de língua portuguesa. “A Saber Viver veio preencher lacunas, interferindo positivamente na vida das pessoas com HIV/aids. Foi um impulso para fortalecer a luta contra aids, agora multiplicado por dez”, comemora o psicanalista George Gouvea, vice presidente do Grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro. “A Saber Viver tem um significado muito importante na história da epidemia de aids no Brasil. Chegou devagarzinho, ocupando grupos de ajuda mútua, serviços de saúde e hoje é um espaço único de protagonismo para as pessoas que vivem com HIV. Seus 10 anos são motivo de orgulho para todos nós”, reconhece o diretor do Departamento Nacional de DST/Aids e Hepatites Virais, Eduardo Barbosa, que começou no movimento antes de chegar ao Ministério da Saúde.

PONTE ENTRE ONGS E USUÁRIOS
Dirigentes de ONGs reconhecem que muitos soropositivos chegam pelas reportagens ou pela Área Útil da Saber Viver. Essa ponte traz benefícios para os dois lados: fortalece o papel das ONGs no combate à epidemia e oferece um caminho aos leitores que buscam nessas organizações serviços ou a porta de entrada para o movimento social. É por isso que os 10 anos da Saber Viver são celebrados por todos. Nas próximas páginas você lerá depoimentos de soropositivos, dirigentes de ONGs e profissionais de saúde que nesta última década nos ajudaram a fazer parte da história da aids no Brasil e no mundo.

AVANÇOS NO TRATAMENTO DA AIDS
Muitos avanços foram observados no tratamento das pessoas vivendo com HIV/aids nos últimos 10 anos. O surgimento de novos medicamentos – mais potentes, com menos comprimidos e efeitos colaterais; o teste de genotipagem – que identifica a resistência do HIV aos medicamentos; e o tratamento contra a lipodistrofia – que possibilita recuperar a autoestima perdida foram algumas dessas conquistas.
O infectologista Mauro Schechter, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca o surgimento da classe dos inibidores de integrase: “As drogas dessa classe impedem que o DNA do HIV se integre ao material genético do paciente, o que impede que novas células sejam infectadas e interrompe o ciclo de vida do vírus”. Outra conquista importante dessa década, segundo Schechter, é a redução do índice de transmissão do HIV durante a gravidez e o parto, atualmente inferior a 1%.

PRÓXIMOS DESAFIOS
Apesar dos avanços, os desafios para o futuro são muitos. O diagnóstico precoce é um deles. “Muitas pessoas têm medo de realizar o exame, mas conhecer a infecção é o primeiro passo para enfrentá-la”, aponta Schechter. A atenção integral ao paciente é outro ponto de destaque. “A tendência da epidemia está mudando. Atualmente, a maioria das mortes de pessoas com HIV é provocada por doenças cardiovasculares. É preciso estar atento a fatores como níveis de lipídios e colesterol, por exemplo, para prevenir essas doenças”, afirma o médico.
Para o diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, a adesão continua sendo um grande desafio. “Disponibilizar o medicamento não basta. Os serviços de saúde devem ser capazes de entender e atender o usuário como um sujeito diverso, a partir de sua individualidade e respeitando as dificuldades específicas de cada um”, considera.

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