Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Saber Viver » Saber Viver n.49

07/2012

Saúde mental em desequilibrio? Procure ajuda.

Qualquer pessoa que se vê diante de uma situação nova precisa de um tempo para ajustar seus sentimentos e pensamentos dentro da nova realidade. Quando essa situação é uma doença, não é diferente. A psicóloga do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho do Rio de Janeiro, Gisela Cardoso, afirma que a doença representa um ataque à autoimagem ideal que temos de nós mesmos. “A adaptação à situação de ser soropositivo não é uma aceitação passiva e submissa, mas uma capacidade de se reorganizar dentro dessa nova condição”, afirma.

Auxílio profissional

Nessas horas, o trabalho do profissional de psicologia faz toda a diferença. Ele pode nos ajudar a reorganizar nosso mundo interno. “A procura pelo psicólogo pode partir de qualquer pessoa vinculada ao paciente, incluindo ele próprio”, lembra Gisela. É importante também que o profissional de saúde perceba quando seu paciente necessita desse apoio. “Pode ser através do que ele expressa verbalmente, do modo como age, da tristeza pelo diagnóstico do HIV, da dificuldade em se adaptar à rotina do tratamento antirretroviral, da revolta por estar doente e dependente dos outros ou da recusa em compartilhar o diagnóstico com o parceiro/a”, enumera a psicóloga.

Mudanças positivas

Marlene Paulino faz tratamento na Policlínica Antônio Ribeiro Neto (PAM 13 de Maio), no Rio de Janeiro: “O acompanhamento psiquiátrico diminuiu minha ansiedade e nervosismo”.

João* já passou por isso e, felizmente, pôde contar com ajuda psicológica. “Quando descobri minha soropositividade fiquei de luto comigo mesmo. Depois fui encaminhado para o psicólogo e comecei a me reorganizar. Com ele, eu podia falar o que sentia, coisa que não conseguia fazer com os outros”, lembra. Marlene Paulino, por sua vez, destaca a importância do apoio que recebeu no serviço de psiquiatria do a Policlínica Antônio Ribeiro Neto (PAM 13 de Maio), no Rio de Janeiro, onde faz seu tratamento. “Gosto sempre de lembrar o apoio que o Dr. Leornardo deu para as reuniões de um pequeno grupo da Rede Nacional de Pessoas Soropositivas (RNP+ RJ), afirma. Foi somente em 2000, entretanto, que ela começou a se tratar no serviço de psiquiatria do hospital. “Graças a Deus encontrei uma equipe de amor e atenção”, diz. Marlene conta que o atendimento ajuda a diminuir sua ansiedade e nervosismo.

Atendimento psicológico no Pela Vidda

Reduzir a ansiedade do usuário é um dos resultados observados pelo serviço de psicologia da ONG Grupo Pela Vidda – Rio de Janeiro. “Afirmar e reafirmar que a vida não acabou é o primeiro passo para a reintegração do soropositivo com o mundo real, fazendo com que ele entenda que todos os seus projetos de vida poderão ter continuidade”, ressalta o psicanalista George Gouvêa, diretor da ONG. O apoio psicológico na ONG é realizado de maneira pontual e no máximo em cinco encontros. “O usuário poderá ser atendido no consultório de nossos voluntários ou na sede do grupo, dependendo da disponibilidade do psicólogo/psicanalista voluntário”, diz. SV

*nome fictício

Compartilhe