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Circulador » Circulador n.05

10/2012

Saúde urbana

Estratégias investem na intersetorialidade e na força da coletividade para melhorar a qualidade de vida no Rio de Janeiro

A crescente urbanização traz novos dilemas para a qualidade de vida e a promoção da equidade nas cidades. O tema tem gerado discussões em diferentes segmentos da sociedade e exige respostas capazes de compreender a complexidade das questões urbanas. Nesse cenário, a prática intersetorial revela-se a mais adequada, por assumir uma perspectiva de trabalho integrada, que leva em conta a multicausalidade dos problemas e foca o olhar na coletividade. No entanto, ultrapassar a lógica predominante da gestão governamental, verticalizada e fragmentada, requer esforço para superar padrões há muito tempo estabelecidos. Desde 2009, esse é um dos desafios da Coordenação de Políticas e Ações Intersetoriais (CPAI) da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC-RJ).

A missão da CPAI, que integra a Superintendência de Promoção da Saúde da SMSDC-RJ, é mobilizar os diversos setores do governo e da sociedade para, de forma compartilhada, construir e desenvolver ações que melhorem as condições de vida da população. Para isso, diversas estratégias que valorizam a intersetorialidade, como o Comitê Vida, a Rede de Adolescentes Promotores da Saúde (RAP da Saúde) e o Núcleo de Promoção da Solidariedade e Prevenção das Violências, são implementadas. “Procuramos envolver atores com interesses, experiências e percepções distintas, mas que podem ser complementares”, diz Viviane Manso Castello Branco, coordenadora da CPAI, ressaltando que, nesses espaços de troca, os conflitos também estão presentes. “Para a parceria funcionar, é preciso respeitar as diferentes formas de trabalho e buscar elementos capazes de mobilizar os diversos grupos para que possamos atuar em conjunto”, destaca.

Somos elos da saúde

Identificar e divulgar boas práticas para a promoção da saúde é outra estratégia fundamental da CPAI. Nesse sentido, o blog Elos da Saúde tem sido uma importante ferramenta de comunicação e articulação entre setores e iniciativas da sociedade, estimulando o intercâmbio de saberes e experiências. “Investimos em metodologias que favoreçam as trocas horizontais. Todos nós podemos ser elos da saúde”, diz Viviane.

A intersetorialidade acredita na potência da conexão entre indivíduos – especialmente num dado território, onde as forças sociais estão concentradas – como fonte geradora das transformações sociais. Projetos que dialogam com a comunidade, que apostam em sua potencialidade, têm mais chance de dar certo. O sucesso do RAP da Saúde é uma prova disso. Escutar o jovem e apoiar suas ações ampliou os horizontes de todos os envolvidos no projeto e tornou a juventude local um elemento de ligação entre a comunidade, os serviços de saúde e as políticas públicas.

Nesta edição da revista Circulador, está uma mostra do trabalho realizado pela SMSDC-RJ e seus parceiros. Iniciativas compartilhadas por diferentes grupos na busca de soluções para promoção da saúde e redução das desigualdades. Exemplos que revelam mudanças na cultura das instituições públicas e indicam a necessidade de modelos flexíveis e participativos, que envolvam os usuários nas decisões e ações, fomentando o capital social da comunidade.

EU APOSTO! “A promoção da saúde engloba as diversas dimensões de nossas vidas: educação, moradia, cidadania, participação social, acesso aos serviços de saúde. E a ação intersetorial é fundamental neste processo”. Márcia Regina Cardoso Torres, Superintendente de Promoção da Saúde da SMSDC-RJ

Comitê Vida

Integrantes de diversas instituições municipais, universidades, ONGs e sociedades científicas se uniram para criar o Comitê Vida. O grupo intersetorial busca incentivar o desenvolvimento de estratégias para favorecer a participação do pai em ações cuidadoras, fortalecer os vínculos entre pais e filhos e prevenir a violência intrafamiliar. “Embora não esteja claro para a maioria dos profissionais, o envolvimento do pai é um importante determinante social da saúde”, diz Viviane Manso Castello Branco, que coordena o grupo.

O Comitê Vida, que completa 10 anos em 2012, está à frente também de iniciativas que abordam questões como a maternidade e a prevenção da violência no namoro. As reuniões são abertas a todos os interessados e os parceiros mais constantes são a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Secretaria Municipal de Educação, a MultiRio, a Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade de Gênero e o Instituto Promundo. As propostas, construídas coletivamente, geram ações desenvolvidas em escolas, unidades de saúde, equipamentos esportivos e sociais e comunidades. Segundo Maria Luiza de Carvalho, da UFRJ, os resultados alcançados pelo trabalho do grupo refletem o vínculo entre os participantes, a riqueza da discussão, o intercâmbio de saberes e de recursos.

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