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Saber Viver » Saber Viver n.44

08/2009

Se a LIPODISTROFIA chegar…

SAIBA O QUE FAZER PARA EVITAR, RETARDAR OU REDUZIR AQUELAS MUDANÇAS TÃO INDESEJADAS

A lipodistrofia é o efeito colateral dos antirretrovirais que mais assusta, e que pode levar algumas pessoas a suspenderem os medicamentos sem consultar o médico. Um ato como este prejudica todo o tratamento, reduzindo as opções de remédios para combater o vírus no futuro. Também por causa da lipodistrofia, há quem se afaste dos amigos e familiares, com medo de ser discriminado, ou por se sentir feio. E tem ainda aqueles que encaram o problema e incluem uma boa alimentação e um pouco de exercício para retardar, ou mesmo reduzir, as mudanças no corpo que tanto tememos.
Se, da noite para o dia, ao se olhar no espelho você não reconhece o seu corpo, porque seu bumbum está diminuindo e sua barriga está aumentando, há muitas coisas que podem ser feitas para que você se sinta melhor. A começar pelos exercícios.
“A academia foi uma porta de escape muito grande, pois eu estava com depressão e, a partir do momento que eu comecei as atividades, minha autoestima foi melhorando. Eu comecei uma nova vida aqui”. Laura
Laura buscou a ajuda de uma ONG em Belo Horizonte e encontrou o projeto Posithi vo, do Grupo Vivher. Lá ela faz diversas atividades gratuitas, como musculação e dança e já começou a perceber as melhoras.
“A ideia do projeto é fazer com que o indivíduo se reconheça e se aceite. É preciso que ele encare a sociedade e veja que, além do HIV, além da lipodistrofia, existe um mundo lá fora esperando por ele”, afirma o Presidente do Grupo Vhiver, Valdecir Fernandes Buzon.

Encarando o espelho
Para a psicóloga do grupo, Tarcila Peixoto Hofner, a lipodistrofia está completamente relacionada à questão da autoimagem. “Nós já tivemos usuários que se trancaram dentro de casa por causa da perda de gordura no rosto. Por isso é preciso trabalhar o gostar de si, o conseguir se ver no espelho. Se a pessoa não está se olhando no espelho, é sinal de que existe algum problema ali”, afirma. Uma das pessoas que frequenta o projeto Posithivo, do grupo Vivher, é Vitor.
“De repente, o meu espelho quebrou. Ficou todo partido no chão. Com o tempo, porém, eu descobri que podia juntar os caquinhos e formar um espelho novo. Eu construí uma imagem nova”. Vítor
Ao praticar atividades físicas, além de ganhar massa muscular ou perder alguns qui linhos, a pessoa se sente mais motivada. “O indivíduo se sente mais bonito e começa a se recolocar no meio social. Ele melhora a sua capa cidade de ser mais feliz”, afirma Valdecir.
O fisioterapeuta Marcos Bello, da Clínica Márcio Serra, no Rio de Janeiro, concorda. Para ele, não existe uma receita pronta quanto aos exercícios que combatem a lipodistrofia. Porém, exercícios ae róbicos (caminhada, bicicleta, dança) e de resistência (mus culação) devem ser praticados pelo menos trêsvezes por semana. “A atividade física é importante para qualquer pessoa não importa que tenha ou não uma doença”, comenta.

Comer bem e saudável
A nutrição balanceada não pode ficar de fora no combate à lipodistrofia. Além de fornecer a energia necessária para as atividades físicas, ajuda a reduzir os níveis de triglicérides e colesterol. As dietas devem ser específicas para cada pessoa, mas há dicas que servem para todos: comer frutas e verduras à vontade, reduzir o sal e o açúcar, fazer de 4 a 6 refeições por dia, e beber bastante água. ONGs, como o grupo Vhiver, e alguns serviços de saúde oferecem consultas com nutricionistas.
“Eu vim para o grupo Vivher indicado pela psicóloga do Hospital Eduardo de Menezes. Com o acompanhamento da nutricionista e a academia meu equilíbrio melhorou e eu reduzi os meus triglicérides. Eu ganhei massa muscular e minha condição de vida como um todo também melhorou”. Sérgio

Troca de medicamentos
Há situações em que a lipodistrofia pode ser combatida com a troca de medicamentos. É o que diz a infectologista Karina Ribeiro, do SAE Sagra da Família, em Belo Horizonte.“Todos os medicamentos podem causar lipodistrofia, somados a fatores genéticos, idade, sexo, tempo de uso de antirretrovirais e época de início de tratamento (quanto menor o valor de células CD4 no início do tratamento, maior a chance de desenvolver lipodistrofia). No entanto, alguns medicamentos desencadeiam mais rápido a lipodistrofia do que outros, e, se a substituição for feita sem prejuízo ao tratamento, pode-se indicar a troca”, afirma.

Em último caso
Como último recurso, existem as cirurgias reparadoras, disponibilizadas pelo SUS, para as lipodistrofias moderadas ou graves (ver box ao lado). Caso você perceba que está com alterações no seu corpo devido à lipodistrofia, procure ajuda de um profissional de saúde: ele poderá indicar a melhor forma de lidar com o problema. Participar de grupos de apoio também pode contribuir para resgatar a autoestima e facilitar a reintegração social.
Na última página da revista, você encontra o contato das ONGs citadas nesta matéria. SV

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