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Saber Viver » Saber Viver n.24

10/2003

Seja voluntário em pesquisas de medicamentos

Sem opção de tratamento?
Seja um voluntário

Entre todas as doenças que existem no mundo hoje, a aids é uma das que mais recebem investimentos em pesquisa e por isso tem havido grandes avanços no seu tratamento. Se, nos anos 80, no início da epidemia, podíamos contar apenas com o AZT para combater o HIV, atualmente temos pelo menos 18 medicamentos comprovadamente eficazes contra o vírus da aids e inúmeros outros em teste no mundo. Graças a cientistas e a voluntários que participam dos testes, novos medicamentos surgem a cada ano. Veja como você pode participar dessas pesquisas.

Como funcionam os testes
No Brasil, existem diversos centros de pesquisa, geralmente ligados a universidades, onde são realizados testes com medicamentos anti-retrovirais. Roberto Zajdenverg, coordenador da Unidade de Testes Terapêuticos do Projeto Praça Onze da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esclarece que esses testes seguem normas rigorosas e que, no caso da pesquisa clínica, a saúde dos voluntários está em primeiro lugar. “Antes dos medicamentos serem testados com portadores do HIV, eles já passaram por diversas fases e foram aprovados em todas”, diz o médico. No Projeto Praça Onze-UFRJ, os voluntários que participam dos estudos têm consultas médicas freqüentes, fazem exames de sangue rotineiros e têm acesso a uma equipe multidisciplinar, que, além de médicos, conta com enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. A Unidade tem ainda uma estrutura de suporte que garante atendimento adequado aos pacientes enfermos e com dificuldade de locomoção. Além disso, os voluntários recebem vale transporte e tíquete refeição. “Queremos que o paciente voluntário tenha tranqüilidade para fazer seu tratamento”, diz Roberto.

Pesquisas em andamento
No momento, estão sendo feitos estudos com o Tenofovir, anti-retroviral que recentemente obteve registro no Brasil e que, em breve, também estará disponível na rede pública. Outro estudo em curso compara diferentes esquemas de tratamento. O objetivo é avaliar a evolução clínica dos pacientes, a duração da eficácia dos esquemas, os efeitos colaterais, as possíveis falhas do tratamento e os critérios para mudança de medicação. Duas pesquisas com medicamentos novos — Capravirina e Tipranavir — estão em fase de recrutamento de voluntários soropositivos. Para se candidatar, o portador do HIV deve apresentar falha no tratamento anti-retroviral. O paciente pode contactar diretamente o Projeto Praça Onze ou pedir para que o seu médico faça o encaminhamento. “A gente sabe que, para pacientes com quadros mais avançados do HIV, as opções ficam restritas, mesmo com a quantidade de medicamentos distribuídos na rede pública. Esses estudos permitem que o paciente tenha acesso a medicamentos que podem salvar sua vida e seja acompanhado de uma maneira séria, seguindo normas do Ministério da Saúde”, diz Roberto.

Compromisso com a saúde
Uma preocupação muito comum é em relação à continuidade do tratamento após o término do estudo. “Temos o compromisso, garantido em contrato assinado entre o paciente e a instituição, de oferecer o remédio em estudo àquele paciente, até que o medicamento esteja disponível gratuitamente na rede pública”, explica Roberto. Outra dúvida freqüente é sobre possíveis efeitos colaterais de médio e longo prazos que podem surgir após o término do estudo. “Temos um ambulatório pós-estudo para dar todo tipo de suporte ao paciente, embora muitos deles prefiram ser acompanhados pelos postos mais próximos de casa. Mas temos um compromisso com a saúde do paciente e, uma vez que ele faça parte do projeto, irá encontrar sempre a porta aberta para tirar suas dúvidas e receber orientação”, diz Roberto.

Como participar
Para fazer parte de uma pesquisa terapêutica, o portador do HIV precisa se encaixar nos critérios de um determinado estudo. Ao se candidatar, o voluntário passará por uma avaliação criteriosa que determinará sua participação ou não na pesquisa. Além disso, existem outros pré-requisitos fundamentais: disponibilidade de tempo e real interesse em seguir o tratamento à risca. “O voluntário tem que se comprometer a comparecer às consultas agendadas, fazer os exames na data marcada e tomar a medicação corretamente”, ressalta Roberto. “Quando é necessário, fornecemos atestado médico para justificar a falta ao trabalho”. As consultas são com hora marcada e não há necessidade de pegar senha ou aguardar em filas. SV

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