Saber Viver Mulher

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Mulher » Saber Viver Mulher n.01

10/2003

Sem vergonha de ser feliz

Depois da morte de seu segundo marido, Beatriz estava com a vida refeita e muito feliz ao lado de seu novo companheiro. Foi um grande susto quando, em 1997, ela descobriu estar contaminada pelo vírus da Aids.

Viver e não ter a vergonha de ser feliz…” Eu não me canso de ouvir esta música do Gonzaguinha que passou a ser o meu hino, depois que eu soube que estava com HIV. Havia sido infectada pelo meu companheiro, que morreu sem sabermos a causa. Eu estava casada novamente, extremamente feliz, com a vida refeita.
E agora??? Tudo tinha vindo abaixo… Mas ainda bem que Carlos (meu atual companheiro) constatou que não estava infectado.

Porém, fiquei com muito medo que ele me deixasse, afinal, eu estava com o vírus… mas, para alegria minha, ele me disse, carinhosamente: “Velhinha, vamos fazer deste limão, uma limonada! Eu te amo muito e, juntos, vamos gritar aos quatro ventos que é possível ser feliz, mesmo infectado com o HIV.”

Eu esqueci de contar que, agora, nós dois temos mais de 50 anos, e que quando eu soube do vírus, tinha 47 anos.
Fomos aprender, juntos, a usar preservativos. Até hoje é divertido ver a fisionomia dos jovens, nas farmácias, quando nos vêem examinando preservativos, discutindo a qualidade deles e qual seria o “mais gostoso”.

Hoje fazemos palestras para empresas, escolas e comunidades em geral, mostrando que as pessoas que vivem com HIV não são “perigosas” e que não devem ser afastadas. Eu não escondo a minha soropositividade e minha família me apóia nesta luta. Assim, todos juntos, demonstramos que é perfeitamente possível vivermos bem em comunidade. Portanto, minha amiga, eu lhe sugiro: adote o meu hino e vá, como eu, “viver e não ter a vergonha de ser feliz!”

Com muito carinho, Bia.

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