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Saber Viver » Saber Viver n.18

10/2002

Tem mensagem para você

Participantes da Conferência mandam recados para soropositivos brasileiros

José Luiz Asencios, 38 anos – Peru
“No Peru, menos de 2% das pessoas soropositivas recebem medicamentos anti-retrovirais. Nós, ativistas da América Latina, temos muito que aprender e agradecer aos ativistas brasileiros porque estão nos mostrando, através de suas atuações, como a comunidade pode conquistar benefícios importantes para as pessoas que vivem com HIV/Aids. Esperamos um dia estar na mesma posição do Brasil. Um grande abraço a todos os brasileiros”.

Ricardo Soares de Souza, 27 anos – Espanha
“Tentem ser felizes e levar uma vida saudável, sem deixar tantos problemas tomarem conta de suas vidas. Estar infectado pelo HIV não significa estar condenado à morte. Então, aproveitem a oportunidade de terem tratamento e não deixem de tomar os remédios. Se vocês se sentirem discriminados, busquem ajuda. Não deixem ninguém lhes fazer mal. Tenham amor à sua vida”.

Andréa Gonzalez Minardi, 35 anos – Uruguai 
“O meu depoimento é para as pessoas que utilizam drogas injetáveis, como eu. Prestem muita atenção às ações de redução de danos. Vocês devem se cuidar sexualmente, usando o preservativo. Não compartilhem a mesma seringa com ninguém. Cuidem de vocês mesmos e dos demais. Lutem por melhor qualidade de vida e contra a discriminação e o preconceito”.

German Humberto Rincon Perfetti*, 40 anos – Colômbia 
“Com a experiência que tenho por saber que estou infectado pelo HIV há mais de 10 anos, eu convido as pessoas vivendo com HIV no Brasil a sentirem-se como as outras pessoas nos relacionamentos afetivos e sexuais, com os amigos, com a família, e celebrar a possibilidade de terem acesso ao tratamento contra a Aids. Agora, temos novos desafios, como repensar e replantar um novo projeto de vida que nos transforme em pessoas mais harmônicas e felizes”.
*Ativista que conseguiu, através da justiça, ter acesso aos medicamentos anti-Aids e, com isso, abriu essa possibilidade a todos soropositivos em seu país.

Gus Carns, 46 anos – Inglaterra
“Como em todo mundo desenvolvido, viver com Aids hoje na Inglaterra não é tão dramático quanto era antes. Acho que a grande diferença entre viver com Aids no Brasil e na Inglaterra é que no Brasil existe mais envolvimento político. O movimento HIV na Inglaterra tem menos energia do que no Brasil. Penso que vocês, no Brasil, têm muito a nos ensinar”.

Augustine Chella, 33 anos – Zâmbia
“Nos países africanos, não há comprometimento dos governos com a questão da Aids. A população tem pouca educação e informação e a pobreza é muito grande. Penso que o Brasil é um bom exemplo no combate à Aids. Está na hora do governo brasileiro olhar para os outros: passar sua experiência, nos ajudar a montar um programa de DST/Aids eficiente”.

Periasamy Kousalaya, 28 anos – Índia 
“No meu país, não há remédios suficientes para a Aids e as doenças oportunistas. É muito difícil viver com HIV/Aids na Índia, especialmente para as mulheres, pois os homens são considerados mais importantes que nós. Eu gostaria que essa discriminação acabasse. Se lutarmos juntas, conseguiremos tudo”.

Manuel Ariel Liwanag, 34 anos – Filipinas
“Nas Filipinas, muito pouco se fala sobre Aids por causa do medo da discriminação. Mas acho que quanto mais você fala sobre o assunto, mais o preconceito diminui. Nosso pior problema é a falta de medicamentos. Só conseguimos tratamento quando já estamos muito mal. Lutamos para que a infecção seja detectada cedo e para que todos os soropositivos tenham acesso aos medicamentos.”

Raquel Charles, 30 anos – Granada, Caribe
“Sei que sou uma privilegiada, pois, em Granada, só quem tem dinheiro tem acesso aos anti-retrovirais. Mas eu acho que a vida continua boa depois do HIV, apesar de ouvir coisas horríveis de pessoas que pensam que sou promíscua. Não há porque ter vergonha; a Aids é uma doença, simplesmente. O importante é viver sua vida. Ninguém vai fazer nada por você se você não se cuidar”.

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