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Circulador » Circulador n.03

12/2007

Todo dia é dia de Pai

Gestação, amamentação, vacinas, consultas e internação. Cada um desses eventos da vida de uma criança é uma oportunidade para fortalecer os vínculos entre pais e filhos.

Fabiano, 26 anos, acompanha a filha, internada no Hospital Municipal Salles Neto.

No Centro Municipal de Saúde Harvey Ribeiro de Souza Filho, no Recreio, as campanhas de imunização têm sido o melhor momento para promover o vínculo entre pai, filho e saúde. “As campanhas são aos sábados, o que facilita a vinda do pai que trabalha”, diz Mônica Chor, pediatra do CMS. “Nesses dias, a presença masculina é maciça e a gente procura valorizar ao máximo a participação deles”. Além de tirar fotos para o mural da unidade, a equipe criou um adesivo com a frase Que bom, pai, que você veio, para ser colado na camisa do pai no dia da vacinação. “Eu digo para colar do lado do coração do papai, do vovô ou do padrasto, se for o caso”, conta Carmem Lúcia Pessoa, também pediatra.
A campanha de vacinação, segundo Mônica Chor, funciona como porta de entrada para os serviços oferecidos pela unidade, uma oportunidade para o homem, e também a mulher, conhecer o espaço e obter informações sobre os demais atendimentos. “Outra experiência interessante foi a de filhos trazendo seus pais para vacinar durante as campanhas de vacinação para idosos ou para adultos, como a da rubéola”, revela Mônica.

É importante estimular o exercício do cuidado no homem

Os grupos de puericultura, as consultas de pré-natal e o ambulatório de pediatria são outras portas de entrada para os pais no CMS, ainda que a participação seja menor. O horário de atendimento (dias úteis, de 7 às 17h) e o espaço físico reduzido da unidade são apontados como os maiores problemas, mas o empenho da equipe em acolher o homem que chega pode fazer a diferença. “Quanto mais estimulados e valorizados, mais os pais gostam de vir. Nós fazemos questão de que ele entre para a consulta, escute o coração do bebê, conheça seu direito de estar na sala de parto, de visitar seu filho a qualquer hora. Culturalmente o homem se sente alijado deste processo, mas nós estamos abrindo espaços para uma mudança e os pais estão mais abertos para isso também. Quando eles se sentem incluídos na unidade, passam até a se cuidar melhor”, observa Mônica.
Para Taís Santos, assistente social do CMS, a presença do pai durante a consulta da criança traz ainda outra vantagem: duas pessoas podem entender melhor a prescrição, têm mais chances de esclarecer dúvidas. “É muito bom quando eles fazem perguntas e se interessam. É preciso valorizar o papel do pai como cuidador”, destaca ela.

Adesão dos funcionários 
Para obter bons resultados em suas iniciativas, a equipe não abre mão de muita conversa. As reuniões envolvem todos os funcionários, e as questões que surgem podem virar um fórum de discussão. “Temos uma gestão muito co-participativa aqui. Nada é decidido de cima para baixo”, se orgulha Mônica. “Quando algo está difícil, a gente conversa, tenta ver por outro lado, tenta adequar. Trabalhamos muito a valorização do profissional e a interdisciplinaridade”.
Um bom exemplo de como funciona o trabalho da equipe é a forma como o tema da paternidade começou a ser desenvolvido pela unidade. “Em nossas reuniões, conversávamos sobre as questões O que é ser pai pra você? Como foi o seu pai? Como é você como pai? Trouxemos fotos de nossos pais e maridos e foi muito legal fazer todo mundo repensar”, conta Mônica.

Mônica Chor, pediatra; Taís Boaventura, assistente social; Vinícius Oliveira, técnico de enfermagem, e Carmem Lúcia, pediatra, do CMS Harvey Ribeiro de Souza Filho.

Pai amigo da amamentação
O ótimo resultado alcançado pelo CMS no processo de valorização da amamentação também se deve ao envolvimento de todos os funcionários da unidade, a primeira a ganhar o título de Unidade Amiga da Amamentação no município do Rio de Janeiro. Grande parte dos funcionários fez o curso de capacitação oferecido pela Secretaria de Saúde, onde é debatido, entre outros temas, a importância do acolhimento e do respeito às diferentes crenças e culturas. “É dessa forma que os vínculos entre o usuário e a unidade são fortalecidos”, acredita Mônica. “Incluir o tema paternidade nesse contexto é uma consequência. A gente acredita que isso é a promoção de saúde”, conclui.

Presença do pai ajuda na recuperação da criança internada

No Hospital Municipal Salles Neto, no Rio Comprido, a equipe de saúde tem buscado inserir o pai no tratamento da criança hospitalizada. O alojamento conjunto já é uma realidade desde 1992, quando foram concluídas as reformas do hospital. No princípio, a idéia era dar condições para a permanência da mãe, mas o pai (ou outro familiar), aos poucos, vai se tornando uma figura mais presente no hospital: de poucas horas por dia, o homem
passou a ter direito a ficar o dia inteiro com seu filho. “É indiscutível que a criança acompanhada da mãe e do pai durante o período de internação tem uma recuperação mais rápida. Além disso, é importante que ambos possam dividir o cuidado dispensado com o filho internado e com os outros filhos”, ressalta Elsa Ferreira, assistente social.

Reuniões com acompanhantes são freqüentes
Durante a internação da criança, a equipe busca atender as necessidades de sua família, que muitas vezes é extremamente pobre e marcada pela violência. Os acompanhantes são convidados a participar de vários tipos de grupos, coordenados por profissionais do serviço social, da psicologia, da nutrição e da odontologia, onde recebem orientações para uma vida mais saudável, conhecem as normas do hospital e tem a oportunidade de falar abertamente sobre suas questões pessoais. “Há ainda o grupo de recreação, onde pais e filhos brincam juntos, o grupo de shantala (massagem para bebês) e a visita da ONG Quero ler, que conta histórias na enfermaria”, conta Nadima Zeidan, nutricionista.

Equipe do Hospital Municipal Salles Neto: Regina Tavares, pediatra; Nadima Zeidan, nutricionista; Elza Ferreira, assistente social; Avani Martins, enfermeira; Anete Patitucci, chefe de enfermagem; Valdinei Menezes, agente administrativo; Francisco Jorge, biólogo; Tatiana Guedes, chefe de manutenção; Paula França, enfermeira; Mariana Leite e Aline Lopes, estagiárias de psicologia, e Wanderley Borges, diretor. Acompanhados das crianças internadas e seus pais, na sala de convivência do hospital.

Equipe busca em conjunto soluções para problemas sociais
Nos encontros semanais da equipe para a discussão de casos clínicos, a busca por soluções para problemas sociais e de convivência no hospital acaba concentrando as atenções. A permanência dos pais é uma das questões debatidas, como informa Regina Silva Tavares, pediatra: “Todos somos a favor da presença da família da criança no hospital, mas nós temos que discutir como isso se dá dentro de uma unidade de saúde, que tem que ter regras. Atendemos uma população de alta complexidade social. Ocasionalmente surgem problemas em função do espaço reduzido e da longa permanência da criança e seus acompanhantes no hospital”, relata.

 

SER PAI…

Passei a valorizar a relação com minha filha vendo a rotina aqui do hospital. Até aprendi a fazer shantala nela! Por mais que existam problemas, a criança se ilumina quando o pai está presente. Com certeza, sou um pai melhor do que o meu pai foi. Valdinei Menezes, 36 anos, agente administrativo do Hospital Municipal Salles Neto e pai de Larissa, 5 anos.

O amor que tenho por meus filhos é espontâneo, aflora melhor. Adoro chegar em casa e ser recebido com festa e gosto de conversar com eles para que se distanciem de confusão. Mas não sei direito o que falar numa consulta com o médico deles. Minha mulher é que sempre leva e não sei como mudar essa situação. Marcos Luiz Lourenço, 38 anos, segurança do CMS Harvey Ribeiro de Souza Filho e pai de Marcos Luiz, 11 anos, e Maycon Luiz, 7 anos.

Pai e bebê têm convívio diárioConfira abaixo o resultado de pesquisa realizada durante a Campanha de Vacinação de junho de 2005 em 27 unidades de saúde do município do Rio de Janeiro, com 5.086 acompanhantes de bebês de até seis meses de idade.

Freqüência de convívio entre pai e filho:
Diariamente – 84 %
Pelo menos 1 vez semana – 5,8 %
Pelo menos 1 vez a cada 15 dias – 1,7%
Pelo menos 1 vez por mês – 1,75 %
Raramente – 2,15 %
Nunca – 4,6 %

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