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Saber Viver Edições Especiais » Tá na Hora » Tá na Hora n.01

12/2006

Seu TRATAMENTO depende de VOCÊ

Iniciar a terapia antirretroviral: uma decisão consciente

As palavras do médico ainda ecoam em sua cabeça: “É preciso começar a tomar os medicamentos contra a aids, os anti-retrovirais”. É normal que este momento seja de apreensão e muitas dúvidas. O apoio de seu médico e de outros membros da equipe será imprescindível, assim como de sua família e amigos. Mas iniciar a terapia anti-retroviral é uma decisão que tem que ser sua. Sua determinação e participação em todas as fases do tratamento é a parte mais importante de todo o processo. Conheça como funciona a terapia e veja como você pode colaborar com seu tratamento.

Células de defesa são alvo do HIV
Quando o HIV, vírus que causa a aids, entra na corrente sanguínea, ele procura atacar as células CD4, que são responsáveis por defender o organismo de inúmeras doenças. A agressão do HIV ao CD4 faz com que o nível dessas células no sangue vá diminuindo, tornando-as incapazes de exercer sua função. Esse processo pode levar alguns anos. Enquanto isso, é importante monitorar o estado de saúde com consultas e exames que detectam o nível de CD4 no sangue.

Quando iniciar a terapia anti-retroviral
Segundo o Ministério da Saúde, a terapia antiretroviral deve ser iniciada quando o nível de CD4 do paciente estiver abaixo de 200 células/mm. Ou quando houver sintomas de doenças associadas ao HIV.
Se o CD4 estiver entre 200 e 350 células/mm e não houver doença ligada à aids, o início da terapia será avaliada caso a caso pelo médico. O paciente deverá fazer, no mínimo, três exames ao ano paramonitorar a contagem de CD4.

Iniciei a terapia anti-retroviral em 2004, quatro anos depois de descobrir que estava infectado pelo HIV. Senti efeitos colaterais muito fortes no início, mas fui me acostumando. Acho que tudo na vida é uma questão de adaptação, o tratamento é só mais uma coisa. Programei meu horário de trabalho de acordo com meu medicamento, pois, como às vezes ele me provoca insônia ou pesadelos, eu preciso descansar de manhã. Então, eu trabalho à tarde e à noite.
Acho que vale o sacrifício. O beneficio é muito maior. Antes de começar a me tratar, tive duas pneumonias e, agora, quase nunca me gripo. Meu CD4 de 180 foi para 800. Nós, no Brasil, temos acesso a anti-retrovirais muito bons e temos que aproveitar isso. Junto com minha noiva, criei um site de informação sobre HIV e aids, o Grupo Apoio Soropositivos. Procuro saber tudo sobre o assunto. Acho que a melhor arma que alguém pode ter contra o vírus é a informação”.

Renato da Matta, 42 anos, técnico em informática

Anti-retrovirais impedem ação do HIV
O objetivo dos medicamentos contra a aids, chamados anti-retrovirais, é evitar o ataque do HIV às células CD4. Atualmente, existem várias classes de anti-retrovirais de alta potência que agem de forma combinada contra o vírus. Desde o final da década de 90, quando estes medicamentos foram disponibilizados a todos os soropositivos* no Brasil, o número de internações e mortes causadas pela aids vem diminuindo consideravelmente. Com estes novos anti-retrovirais, a aids, antes considerada uma sentença de morte, se tornou uma doença crônica*.

Como saber se a terapia está funcionando
Considera-se que os anti-retrovirais estão surtindo o efeito desejado quando o nível de HIV presente no sangue, a carga viral*, estiver indetectável. Quanto ao CD4, o ideal é que ele suba para um nível acima de 200 células/mm. Depois de iniciada a terapia, a carga viral costuma diminuir rapidamente, mas a subida do CD4 é mais lenta.

É fundamental seguir o tratamento à risca 
Os modernos anti-retrovirais são motivo de comemoração, mas também de compromisso. Para que o tratamento contra a aids funcione, é muito importante que a medicação seja tomada nas horas e condições indicadas. Como dizem os médicos, é essencial que o paciente tenha adesão* à terapia. Pessoas que não seguem essas orientações não conseguem ter sucesso no tratamento. Se os antiretrovirais forem ingeridos de forma errada, o HIV pode sofrer mutações e ficar resistente aos medicamentosque estão sendo tomados, que deixam, então, de fazer efeito

“Antes de começar a tomar os medicamentos contra a aids eu sempre ouvia falar dos efeitos colateriais, ficava muito assustado e angustiado. Quando meu médico disse que estava na hora de eu iniciar a terapia anti-retroviral, passei a me sentir mais fragilizado ainda, com enxaqueca, sinusite, dor de garganta e de dente. Tudo ao mesmo tempo!

Assim que melhorei, em março de 2006, comecei a terapia. Na ocasião, minha sobrinha e meu parceiro ficaram de plantão para me ajudar, no caso de alguma complicação. Mas graças a Deus não tive nenhum problema, apenas alguns pesadelos. Depois de um tempo, minha cabeça melhorou 100%, eu engordei e meu intestino, que era solto, passou a funcionar melhor.

Para mim, os remédios deixaram a vida mais leve e bonita, sem a angústia de ter uma doença oportunista a qualquer momento, como imaginava antes de iniciar o tratamento. Acho que eles ajudam a prolongar a vida, apesar dos efeitos colaterais, mas isso acontece com a maioria dos medicamentos”.

Fernando Teixeira Barbosa, artesão

 

Segurança na hora de iniciar
Pelo que se sabe até hoje, o tratamento contra a aids é para a vida toda. Por isso, antes de iniciá-lo, converse muito com seu médico e com a equipe de saúde. Fale sobre suas rotinas de trabalho e familiar, suas expectativas e sua disposição em se tratar. Só inicie a medicação depois de ter esclarecido todas as dúvidas. Em alguns casos, é preferível esperar um pouco e começar a tomar os anti-retrovirais quando você se sentir mais seguro.

Participe ativamente do seu tratamento
Construir uma relação de confiança com a equipe de saúde também depende do seu envolvimento com o tratamento, do quanto você quer falar e ouvir. Além do médico, você pode contar também com profissionais de outras especialidades, como enfermeiro, psicólogo, assistente social, nutricionista, farmacêutico. Eles devem estar preparados para auxiliar você no início e durante todo o tratamento. Ter um atendimento de qualidade é um direito seu.

Consultas e exames 
É importante nunca faltar às consultas. Relate tudo o que vem passando, como está se saindo com os remédios, tire suas dúvidas. Faça uma lista antes de sair de casa para não esquecer nada. No começo muitas coisas precisam ser esclarecidas.
Pode ser uma boa idéia levar alguém da família ou um amigo durante as primeiras consultas para ajudar você a refletir sobre tudo que é dito.
Os exames são imprescindíveis para que o médico possa analisar como seu organismo está reagindo aos medicamentos. Faça-os com a freqüência requisitada.

Sua relação com os antiretrovirais
Não dá para negar que, sobretudo no início, a adaptação aos medicamentos trará dificuldades, mas, conversando com a equipe de saúde, você encontrará estratégias para melhorar sua relação com os anti-retrovirais. Ajustes no horário das tomadas e formas de amenizar efeitos colaterais* são algumas delas.
Com o tempo, você passará a ver o anti-retroviral como um aliado. Os bons resultados dos exames de sangue e sua saúde mais fortalecida são a prova concreta de que a medicação está funcionando e colaborando para que você possa conviver bem com o HIV.

Interações com outros medicamentos
Antes de iniciar a terapia contra a aids, informe seu médico sobre os medicamentos que você costuma usar. Existem muitos remédios que não podem ser ingeridos juntamente com os anti-retrovirais. Nunca tome medicamentos sem que seu médico saiba. Isso vale também para o uso de ervas, remédios fitoterápicos ou vitaminas.

Glossário

Soropositivos – Pessoas portadoras do HIV
Doença crônica – Doença com a qual se pode viver por muitos anos, contanto que ela seja controlada através de medicamentos.
Carga viral indetectável – Diz-se que a carga viral está indetectável quando o nível de HIV no sangue está abaixo do limite de detecção do exame que foi feito. Os laboratórios possuem diferentes métodos para medir a quantidade de HIV.
Adesão – O paciente que tem uma boa adesão ao tratamento é aquele que entende, concorda e segue as orientações quanto à freqüência de consultas e exames e quanto à medicação, respeitando os horários e a forma como os remédios devem ser tomados. A não-adesão pode levar ao fracasso do tratamento.
Efeitos colaterais – Efeitos não desejáveis causados pelos medicamentos. Saiba mais sobre eles nas páginas seguintes.

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