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Saber Viver » Saber Viver n.33

09/2005

Tristeza ou DEPRESSÃO?

A depressão atinge 26% das pessoas que vivem com HIV/aids, alerta a psiquiatra da Casa da Aids (SP). Mas como diferenciar quem sente tristeza de quem sofre de depressão?

Segundo Valéria Mello, psiquiatra da Casa da Aids (SP), a tristeza é um sentimento universal e natural, que não compromete as outras funções mentais e físicas.
A depressão, no entanto, é uma doença clínica que acomete o indivíduo como um todo.
Valéria Mello explica que, quando a pessoa está triste por conta de algum acontecimento, pode sentir angústia, chorar e até apresentar desânimo e alteração do sono: “Isso é temporário e em resposta a algum fator interno ou externo”.

Quando se trata de depressão, “a angústia é mais intensa, a pessoa perde o prazer pelas coisas em geral, tem alteração de sono, de apetite, de libido, diminuição da concentração e memória, fadiga e dores no corpo, além de uma evidente diminuição da auto-estima e uma avaliação bastante negativa de si mesmo, do futuro e do mundo. Esses sintomas físicos tão intensos e a avaliação negativa da realidade são características da depressão, e não da tristeza”, diz a psiquiatra.
Valéria explica que a depressão não tem causa única, sendo resultado de fatores genéticos, psicológicos e ambientais. Entre os portadores do HIV, ela é mais comum em alguns momentos: quando se descobre o diagnóstico, quando o indivíduo revela sua condição de soropositivo a outras pessoas, no início do tratamento, quando é vítima de preconceito, ou no momento em que a aids começa a se manifestar. Além disso, alguns anti-retrovirais podem causar depressão como efeitos colaterais, “particularmente o Efavirenz”, atesta.
A psiquiatra defende a inclusão de um profissional de saúde mental no tratamento de soropositivos, dada a alta prevalência de depressão entre esse grupo e para ajudar a diminuir o sofrimento psíquico ao qual essas pessoas estão submetidas. “Obviamente se a pessoa leva uma vida sem tantos fatores de estresse, a chance de ter depressão é menor, mas isso é difícil entre portadores do HIV”, resume.
Valéria assegura também que a depressão interfere na adesão ao tratamento anti-retroviral, acelera a evolução da doença, altera a imunidade do paciente – causando queda no número de CD4 e aumento da carga viral – e ainda dificulta muito a aceitação e a vivência com o diagnóstico. Para Valéria Mello, muitas vezes, a família e o próprio paciente desconhecem ou não aceitam o quadro depressivo. “A sociedade atual não aceita o sofrimento psíquico. Exige-se das pessoas que elas estejam sempre felizes, com pensamento positivo.
Apesar de todo conhecimento que a psiquiatria tem sobre a depressão e seu tratamento, ainda muitas pessoas acreditam que é uma “fraqueza de caráter” ou “doença de rico” e quem vai a um psiquiatra é “louco” ou “fraco”. SV

 

Você tem depressão?

A psiquiatra Valéria Mello listou alguns sintomas depressivos. Caso você se identifique com alguns deles, procure a ajuda de um especialista

- Tristeza, ansiedade, irritabilidade, medo e falta de prazer;
- Insegurança, indecisão e idéias de culpa e inutilidade;
- Fadiga, cansaço e concentração / atenção reduzidas;
- Auto-estima e autoconfiança reduzidas, com visão desolada e pessimista do futuro;
- Desejo de não estar vivo, de querer morrer ou de se
- Sono e apetite alterados para mais ou para menos;
- Queda do desejo e do desempenho sexual;
- Queixas físicas variadas: dores de cabeça, diarréia, falta de ar.

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