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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.04

03/2006

Troca de experiências e emoções auxilia o trabalho de profissionais de saúde

Márcia Rachid (foto), infectologista, é grande colaboradora das edições das revistas Saber Viver e Saber Viver Profissional de Saúde. Seu comprometimento profissional a tem levado a participar de diversas ações voltadas para a garantia de assistência humanizada, ética e de qualidade aos que vivem com HIV/aids. Durante a década de 80, enquanto atendia os primeiros casos de aids no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), no Rio de Janeiro, Márcia também participava de atividades de ONG/Aids como a ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids) e o Grupo Pela Vidda-RJ, que iniciavam sua luta pelos direitos das pessoas portadoras do HIV. Atualmente, além de clinicar, a médica tem se dedicado à capacitação e sensibilização de profissionais de saúde e à realização de palestras e artigos para leigos, pois, segundo ela, “aprimorar os conhecimentos e estimular a participação ativa dos pacientes nas decisões terapêuticas aumenta a confiança no tratamento e a adesão à terapia, fundamentais para manutenção do sucesso terapêutico por tempo indeterminado”.

No presente artigo, escrito a convite da Saber Viver, Márcia mostra a estratégia que ela, juntamente com outros profissionais, encontrou para reagir à complexidade da aids e seu tratamento. Há mais de 10 anos, o grupo, multidisciplinar e extra-institucional, realiza encontros periódicos para a discussão de temas pertinentes à doença. Essas reuniões informais foram aos poucos ganhando uma importância ímpar na vida profissional e pessoal de cada participante. Ao compartilhar informações, conhecimento e experiências, os profissionais têm a oportunidade de aprimorar condutas, adquirir maior segurança em sua clinica diária e a tranqüilidade de saber que têm com quem contar nas horas difíceis.

“Durante cerca de dez anos trabalhei no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, onde, além de ser professora, atendia pacientes soropositivos no ambulatório e na enfermaria. Lá, contava com a contribuição voluntária de vários profissionais, como Márcio Serra, Sandra Wagner, Lahire Neto, dentre outros. Em outubro de 1993, por motivos pessoais, solicitei minha demissão.

Por sugestão do Márcio Serra, decidimos reunir um pequeno grupo para continuar trocando experiências, discutir casos clínicos e mesmo aliviar nossas angústias diante de tantas dúvidas frente à epidemia da aids, já que não mais havia o contato pessoal e quase diário do hospital. O primeiro encontro foi ainda em 1993, à noite, na residência do Márcio.

O primeiro grupo era composto por poucos, especialmente aqueles que, de alguma forma, trabalhavam sozinhos, respondiam pelos Serviços e enfrentavam dificuldades sem ter muitas oportunidades para trocar opiniões. Sem perceber, estávamos formando uma equipe multiprofissional com o objetivo de aprimorar nossos conhecimentos técnicos, compartir as informações obtidas nos diversos congressos, aprender a lidar com a complexidade das novas propostas terapêuticas, discutir sobre a importância dos aspectos psicológicos, nutricionais e tantos outros.

Aos poucos, o grupo foi crescendo, chegaram mais médicos de diferentes especialidades, dentistas, biólogos e fisioterapeutas. Todos que quisessem participar eram bem-vindos. O grupo foi se tornando mais dinâmico, super atualizado e até mesmo terapêutico, já que passou também a ser um prazer encontrar os colegas e relaxar algumas horas durante a noite, apesar do cansaço de todos, que vinham diretamente do trabalho.

O grande diferencial talvez seja a abrangência do conhecimento que ganhamos ao longo desses anos, exatamente por termos no grupo profissionais de diversas áreas. A troca de experiências e emoções foi proporcionando maior confiança e tranqüilidade por sabermos que há com quem contar na hora da dúvida maior e quando é preciso fazer opções difíceis”.

Márcia Rachid é Médica da Assessoria de DST/Aids da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro; coordenadora da Câmara Técnica de Aids do CREMERJ; membro do Grupo de Consenso para Terapia Anti-retroviral do PNDST/Aids do Ministério da Saúde; autora, junto com o infectologista Mauro Schechter, do Manual de HIV/Aids (oitava edição).

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