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Solução » Solução n.15

10/2006

Um ombro amigo

Profissionais de farmácia assumem papel de destaque
na adesão do paciente

É natural que os profissionais de farmácia que distribuem anti-retrovirais (ARV) tenham contato mais freqüente com os pacientes. A maioria das pessoas vivendo com HIV/aids, mesmo sem ter consulta marcada, precisa passar pela farmácia mensalmente para pegar os fracos dos medicamentos. Assim, dúvidas sobre efeitos adversos ou como tomar os medicamentos, muitas vezes, acabam sendo esclarecidas pelo profissional do outro lado do balcão. “Os pacientes chegam, com uma gama enorme de problemas relacionados, ou não, à aids. Muitas vezes cabe a nós darmos esclarecimentos e passarmos a segurança para que ele se sinta valorizado e respeitado”, explica Nelma Antônia Silva, responsável pela dispensação de anti-retrovirais do Programa Municipal de DST/Aids de Macaé (RJ).

Responsabilidade no sucesso do tratamento

Nos anos 90, Nelma foi chamada para cobrir as férias de uma colega, responsável pela distribuição de ARV. “Por causa do destino, descobri que a minha paixão era trabalhar para o Programa DST/Aids”, revela. Logo no início, percebeu que tinha responsabilidade sobre o sucesso do tratamento do paciente. Diante deste desafio, criou alguns princípios que regem o seu trabalho. “Quando um paciente chega à farmácia, acho fundamental ouvi-lo. Pergunto como tem tomado a medicação e se entendeu o que o médico escreveu”, explica. Nelma diz que sempre se coloca no lugar do paciente: “Penso em como gostaria de ser tratada em uma unidade de saúde. Um sorriso no momento certo pode fazer a diferença. Mas, às vezes, uns puxões de orelha são necessários quando a pessoa deixou a adesão de lado”, diz Nelma.

Criatividade ajuda o paciente
A profissional do Programa de Macaé desenvolveu seus próprios métodos para atender pessoas vivendo com HIV. “Costumo fracionar e etiquetar, com lote e validade, os medicamentos adicionais. Procuro colocar etiquetas com horário da medicação, faço sinais gráficos e verifico se o paciente consegue identificar os medicamentos e a forma de tomá-los”, explica ela.

Humanização do atendimento
Sheila Rosado da Silveira começou a trabalhar na área de HIV/aids em 1996, na abertura do ambulatório para soropositivos do Hospital Escola São Francisco de Assis, no Rio de Janeiro, como técnica de enfermagem. “Humanização no atendimento está em primeiro lugar. Estar sempre à disposição para esclarecer qualquer tipo de dúvida, com respeito e simpatia, é o caminho para conseguir realmente contribuir com o tratamento desses pacientes”, ensina Sheila. Desde 2004, ela trabalha também no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC/Fiocruz) e está no 7° período de um curso de graduação em farmácia. “Trabalhar com pacientes HIV demanda muito empenho pessoal e requer atualizações constantes sobre medicamentos, interações e reações adversas. Isso me fascina”.
A retribuição à dedicação, como diz Sheila, vem “quando o paciente reconhece esse esforço. Ele sabe que pode contar com nosso apoio moral e psicológico. Ele sabe que pode contar também com a unidade de saúde onde faz seu tratamento”.

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