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Saber Viver » Saber Viver n.40

09/2007

Um “pássaro” em contato direto com a natureza

Há 12 anos, quando descobriu ser portador do HIV, Erval Silveira descobriu também uma nova forma de viver: virou instrutor de parapente e criou o Projeto Vôo Verde.

Hoje, aos 37 anos, sente-se cansado pela manhã como reação ao Stocrin, mas isso não atrapalha seu trabalho: “Vôo toda tarde; depois das 14h as condições climáticas são melhores”, explica. Para completar, Erval nunca teve carro e encara qualquer trânsito de bicicleta. A fim de compartilhar sua experiência com os leitores da Saber Viver, ele entrou em contato com a gente. Confira, agora, um pouco da história deste “pássaro” .

O que a descoberta do HIV mudou na sua vida?
A mudança se deu há oito anos, quando comecei a me medicar. De manhã, sinto-me como se tivesse malhado a noite toda, acordo cansado. Conforme as horas passam, fico bem. Tenho energia de sobra, sendo que depois das nove da manhã [risos].

Você costuma falar no HIV?
Não escondo, mas também não saio falando. Minha família e meus amigos próximos sabem, mas com quem não tenho intimidade acabo me travando, sei que rola o preconceito.

Você já se sentiu discriminado por causa do vírus?
Não abertamente, mas percebo nos olhos das pessoas.

Quando começou a voar?
Em 1993. Eu tinha ido estudar arte dramática em Tenerife, a capital das Ilhas Canárias. Estava atrás da minha liberdade.

Você já tinha o diagnóstico nessa época?
Ainda não, só dois anos depois, quando voltei ao Brasil. Na mesma época, em 1995, fiz o curso de especialização em vôo e fundei minha escola, a Zona Aérea Parapente.

O que sente durante o vôo?
Eu me sinto na sala de estar do pai Deus. Sou eu mesmo, com minha essência humana, mas afastado dos conflitos que ficam embaixo. Vou para um patamar divino, alcanço o Nirvana.

O que os médicos dizem dos seus vôos?
Eles sempre me incentivam a praticar esporte.

Como surgiu a idéia do projeto ecológico?
Tenerife fica no Estreito de Gibraltar, de frente para a África. É uma ilha vulcânica e, enquanto voava, eu não via um sinal de verde.
Logo percebi que o vôo livre é um veículo de fazer mais pelo planeta. Quando voltei ao Brasil, determinei um calendário para lançar em vôo sementes de árvores próprias da Mata Atlântica. Também passei a dar palestras sobre ecologia em escolas e faculdades. O vôo me possibilita fazer algo melhor por mim mesmo e pelos meus semelhantes, mostrar a importância de sermos felizes e de construirmos um mundo melhor.

Você tem vontade de trabalhar com outra coisa?
Já fui cozinheiro de comida mediterrânea, mas cansei de administrar cozinhas e pessoas. Ainda mais no verão, ninguém merece! Fala sério!

Quer dizer algo aos leitores?
Busquem seus direitos e aproveitem cada dia de suas vidas como se fosse o último dia.
Vivam felizes, façam outros felizes! Um grande beijo a todos.

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