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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.02

09/2005

Um por todos. Todos por um!

Como o trabalho em equipe pode melhorar a qualidade do serviço oferecido e aumentar a adesão ao tratamento com anti-retrovirais.

Uma antiga campanha contra a aids dizia que somente com a união de vários setores da sociedade seria possível combater a epidemia. Muitas unidades de saúde e hospitais que tratam pacientes soropositivos para o HIV estão adotando essa máxima, fortalecendo uma parceria interna em que cada profissional, seja de que área for, é considerado parte importante de um todo.

O PAM Antônio Ribeiro Neto, conhecido como PAM 13 de Maio, o primeiro ambulatório não universitário do estado do Rio de Janeiro, acompanha hoje cerca de 1.700 pacientes soropositivos. A equipe, formada por 10 profissionais contratados e oito voluntários (infectologistas, psiquiatra, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, entre outros), reúnese semanalmente para trocar experiências, informações sobre pacientes e discutir soluções.

“Inicialmente, nos reuníamos uma vez por mês. Hoje, toda semana. O profissional que trabalha em equipe sai da solidão e passa a trocar experiências, aliviando o estresse cotidiano do trabalho. Essa estratégia dá mais confiança à equipe e o paciente é um dos beneficiados”, aposta Leonardo Maia, médico psiquiatra, coordenador da equipe de aids do PAM.

GRUPOS COM PROFISSIONAIS E PACIENTES

Quando chega pela primeira vez ao PAM, o soropositivo passa por um grupo de recepção, aberto também aos familiares, onde é recepcionado por toda a equipe de saúde do setor. Nesse primeiro contato, o paciente passa a conhecer todos os profissionais de saúde que cuidarão dele.

Além desse espaço, o PAM montou um grupo de apoio, através do qual pacientes e profissionais se reúnem, uma vez por semana, para ouvir sugestões e dividir angústias e dúvidas sobre a convivência com o HIV e a terapia anti-aids. “Quando percebemos que um paciente está apático ao tratamento, por exemplo, concentramos nossa atenção nele. Reunimos profissionais e, com a aceitação da pessoa, convidamos também a família. Abrimos uma discussão no grupo e essa experiência tem dado bons resultados”, diz Leonardo.

Todas essas ações refletem na qualidade do serviço e na adesão do paciente. “Sabemos que adesão é um nó para todos os profissionais de saúde. Um ambiente propício, receptivo, pode reduzir a possibilidade de abandono do tratamento”, afirma o médico.

O TRABALHO EM EQUIPE NO CRT/SP
O modelo de assistência interdisciplinar já vem sendo desenvolvido há quatro anos pelo Centro de Referência e Treinamento DST/Aids do Estado de São Paulo (CRT/SP). Além de tratar os pacientes de forma integral, os profissionais da equipe do CRT/SP, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais,nutricionistas, entre outros, trocam experiências entre si e definem em conjunto qual o plano terapêutico mais adequado para cada paciente.

“Grande parte dos serviços que atendem portadores do HIV já conta com pelo menos uma equipe mínima. O desafio é fazer com que essa equipe trabalhe de forma integrada, não só para benefício do paciente, mas também visando ao apoio técnico e emocional dos profissionais”, explica Denize Lotufo Estevam, infectologista do CRT/SP. Ela admite que conseguir uma integralidade da equipe efetiva não é simples porque envolve uma mudança tanto na cultura institucional, quanto no processo de trabalho.

A infectologista ressalta que os profissionais de saúde precisamconviver constantemente com barreiras importantes para o processo de adesão do paciente: “A adesão depende de uma série de fatores, que vão desde a aceitação da doença,passando pelos efeitos colaterais dos medicamentos, envolvendo até questões como falta de dinheiro para ir ao posto buscar remédios ou para se alimentar. O médico sozinho não dá conta desse recado”, diz Denize, enfatizando a importância do trabalho em equipe como espaço para a discussão desses entraves.

A psicóloga do CRT/SP, Sônia Garcia, destaca a importância da integração da equipe para o profissional de saúde: “O trabalho em equipe reduz o estresse cotidiano dos profissionais que trabalham com HIV/Aids, ao permitir que eles saiam do isolamento e compartilhem suas experiências, dúvidas, sentimentos de impotência diante da não-adesão e angústias diante das conseqüências decorrentes do tratamento”.

ESTRATÉGIAS EM EQUIPE PARA BARRAR A ADESÃO 
“É preciso haver uma troca maior entre os profissionais de saúde de uma unidade. Precisamos também ouvir mais os pacientes. Só assim se deflagra o processo da adesão”, diz a médica clínica Débora Fontenelle, uma das idealizadoras do grupo Parceiras da Vida, que funciona no Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ). O grupo reúne profissionais de saúde e mulheres soropositivas para abordar questões específicas ao universo feminino. “Esse grupo é um instrumento interessante de reflexão para o profissional de saúde. A partir das demandas das mulheres, a equipe avalia, conjuntamente, quais estratégias de adesão podem ser implantadas”, conclui.

Colaborou: Emi Shima, Assessora de Imprensa do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo.

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