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Solução » Solução n.19

06/2007

“Uma questão de comunicação”

Troca de medicamento revelou eficiência dos serviços de farmácia


Em junho deste ano, todas as farmácias públicas do país tiveram que localizar pacientes em uso do anti-retroviral nelfinavir e trocar os seus medicamentos por causa de uma suspeita de contaminação em dois lotes. Esta tarefa, que poderia ser considerada árdua para a maioria dos profissionais, foi extremamente eficiente de uma maneira geral.

A suspensão do medicamento não alterou a rotina da equipe na farmácia do Hospital Municipal Raphael de Paula Souza, no Rio de Janeiro. A responsável pelo Programa de Aids, a farmacêutica Luciana Massari, conta que a troca de medicamento foi feita sem dificuldade: “A equipe do hospital-dia avisou aos pacientes, e eles já voltaram à farmácia com a nova receita médica e os frascos de nelfinavir para devolver”, diz. “Foi na verdade tudo muito simples, uma questão de comunicação”, acredita.

Foi pelos meios de comunicação, aliás, que a maioria dos pacientes do CMS Heitor Beltrão, no Rio de Janeiro, tomou conhecimento do problema. A farmacêutica Ana Parrini conta que, entre os 26 pacientes que faziam uso do nelfinavir, muitos compareceram à unidade antes de serem chamados: “A Roche publicou uma nota nos jornais de grande circulação no sábado e, na segunda-feira, muitos pacientes já trouxeram o medicamento fechado ou aberto”, relata. “Só tivemos dificuldade com um ou outro paciente cujo número de telefone estava registrado incorretamente”. Ana lembra que alguns pacientes se mostraram mais ansiosos com a possibilidade de contaminação e quiseram interromper o tratamento antes de passar pela nova consulta médica. A esses, a equipe da farmácia explicava que nos lotes distribuídos no Brasil não havia sido detectada qualquer impureza.

A operação também foi simples na farmácia do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC-Fiocruz/RJ). Dos 47 pacientes em uso do medicamento, 41 compareceram para a troca na semana seguinte ao comunicado do Laboratório Roche. A dispensadora Sheila Rosado da Silveira lamenta, porém, não ter conseguido localizar os outros seis: “Alguns pacientes nos dão o número do telefone errado para não serem achados mesmo”, explica. Nesses casos, o jeito é aguardar. Todos os seis têm consulta médica marcada para agosto.

Relembre o que aconteceu
Em junho, a distribuição do anti-retroviral nelfinavir foi suspensa no país. Segundo informações do laboratório Roche, relatos de que alguns lotes de comprimidos apresentaram um odor alterado levaram a análises químicas detalhadas. Afinal, foi realmente provada a presença de uma impureza no princípio ativo, o ácido etil éster metanosulfônico. Por medida de segurança, o laboratório decidiu recolher todos os lotes não só do Brasil, mas também da Europa e de outras regiões.

O nelfinavir é um inibidor da protease distribuído desde 1998. Apresentado em comprimidos de 250 mg e em pó para solução oral, é usado por cerca de 9 mil pacientes adultos e 250 crianças, somente no Brasil. Segundo nota divulgada em 11 de junho pelo Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, os serviços de saúde deveriam entrar em contato com esses pacientes para substituição por outro anti-retroviral e, também, para devolução dos frascos com os comprimidos em uso. Em hipótese nenhuma o tratamento com nelfinavir deveria ser interrompido antes da substituição por outro anti-retroviral.

Dicas para tornar o processo de troca de um medicamento mais eficiente

• Tenha uma relação atualizada de todos os pacientes que freqüentam mensalmente a farmácia, com telefone atualizado ou de algum familiar que possa passar o recado;
• Se um paciente mostrar medo de estar contaminado, procure acalmá-lo explicando que a possibilidade de contaminação é remota e que a troca do medicamento é praxe nesses casos;
• Manter o SICLOM atualizado facilita o acesso a informações como a data da última dispensa, o número dos lotes dispensados e o número de telefone do paciente.

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