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Solução » Solução n.23

04/2008

Unidos contra a aids

Profissionais dos países de Língua Portuguesa reúnem-se em congresso no Rio de Janeiro

Especialistas no estudo de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e aids estiveram reunidos no Rio de Janeiro entre os dias 14 e 17 de abril, durante o II Congresso da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa sobre DST e Aids, no Hotel Glória. Pesquisadores do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Timor Leste, Cabo Verde e Guiné-Bissau apresentaram resultados de trabalhos recentes e apontaram desafios para o controle das doenças. Os congressistas divulgaram resultados recentes de estudos e debateram a situação epidemiológica dos países participantes, experiências positivas de prevenção e oportunidades de cooperação, além de aspectos relacionados a direitos humanos e à ética em pesquisa.

Medicamento único
Uma boa notícia destaca-se entre as novidades apresentadas: o medicamento único contra a aids, em desenvolvimento no Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/ Fiocruz), deve chegar às prateleiras em 2009. A informação foi divulgada pela coordenadora de Assuntos Institucionais de Farmanguinhos, Lícia de Oliveira. Ao simplificar o esquema terapêutico, o novo produto – que integra os princípios ativos zidovudina, nevirapina e lamivudina – contribuirá para a adesão do paciente ao tratamento. Unidos contra a aids Profissionais dos países de Língua Portuguesa reúnem-se em congresso no Rio de Janeiro.

A transmissão vertical do HIV e de outras infecções foi outro foco de debate. Devido à gravidade do problema – em todo o mundo, 82% dos soropositivos menores de 13 anos foram contagiados pelo vírus da aids através da mãe – diversos trabalhos sobre o tema foram apresentados. Resultados positivos foram divulgados por profissionais do Hospital Augusto Ngangula, em Angola, que há quatro anos deu início a um programa de redução e controle da transmissão vertical do HIV: 64% das crianças nascidas entre 2004 e 2006, que já receberam o diagnóstico definitivo da infecção, mostraram-se negativas para o vírus.

Esforço integrado

Além da apresentação de trabalhos científicos em plenárias e sob a forma de pôsteres, o Congresso promoveu uma reunião satélite para avaliar o impacto das resoluções tomadas na chamada Carta de Luanda, elaborada na primeira edição do congresso, realizada em 2005 em Angola. Naquela ocasião, os países signatários se comprometeram a agir em conjunto na promoção das políticas e estratégias de enfrentamento das DSTs/aids. Durante a abertura do evento, o Vice-Ministro da Saúde de Angola, José Van-Dúnem, ressaltou que os planos de combate ao HIV devem ser dedicados prioritariamente a prevenção, diagnóstico, tratamento, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, educação e combate à discriminação.

Brasil e África: desafios
Na primeira conferência, a diretora do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, e o diretor da OMS/África, Luís Gomes Sambo, apresentaram experiências brasileiras e africanas na
luta contra a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Mariângela destacou o desafio de garantir a sustentabilidade do acesso universal a anti-retrovirais – iniciativa em que o Brasil é reconhecido como modelo internacional – e sugeriu como estratégias o licenciamento compulsório e a ampliação da produção nacional de medicamentos. Segundo Sambo, na África os principais desafios são impostos pela pobreza, o analfabetismo, a insegurança alimentar e a dificuldade de acesso à água potável, além dos conflitos armados.

Entre as conclusões dos debates, emerge a necessidade de maior interação entre os participantes para que iniciativas de promoção da saúde envolvam toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O III Congresso da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa sobre DST/AIDS acontecerá em 2010, em Portugal, quando a Carta do Rio de Janeiro será avaliada.

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