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Solução » Solução n.11

02/2006

Uso racional dos medicamentos e o farmacêutico

Para pesquisadoras da Fiocruz, farmacêutico tem um
papel importante no tratamento

Todo mundo sabe que o paciente tem que tomar a dose certa do medicamento adequado, pelo tempo necessário. Todo mundo sabe que esse medicamento tem que ser vendido a um preço razoável. Todo mundo pensa que a responsabilidade por essa prática — que faz parte do conceito de uso racional de medicamentos — limita-se ao médico e ao paciente. Essa noção, no entanto, não dá conta da experiência quotidiana em uma unidade de saúde.

Para as pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz, Vera Lucia Luíza e Claudia Garcia Serpa Osório de Castro, o uso racional de um medicamento deve resultar de um esforço conjunto, envolvendo não apenas médico e paciente, mas também enfermeiros, indústria, outros profissionais de saúde e farmacêuticos. Estes teriam um papel de mediação entre as partes: “O trabalho do farmacêutico, se bem feito, promove o uso racional de medicamentos”, garante Claudia, que é doutora em Saúde da Criança e da Mulher e trabalhou muitos anos atrás do balcão de uma farmácia hospitalar. “O farmacêutico pode e deve interagir com o médico e interferir no processo”, completa Vera, doutora em Saúde Pública, que, como Claudia, tem experiência no dia-a-dia de uma farmácia.

“A ação do farmacêutico inclui, entre outras, a verificação da dose, da duração do tratamento e da adequação da forma farmacêutica às necessidades do paciente, que são questões sobre as quais deve-se interagir com o médico”, afirma.

Uma relação desequilibrada entre médico e paciente
As duas observam, muitas vezes, uma relação “desequilibrada” entre médico e paciente. Uma pessoa pode sair da consulta sem entender de que forma deve tomar o remédio. “Já tive que explicar a um paciente que a água fervida deveria ser usada só depois que esfriasse”, conta Vera. “A consulta médica tem vários enfoques”, destaca ainda, “por isso, nem sempre o uso do medicamento fica claro para o paciente”, explica. “Mas é importante frisar que o papel do farmacêutico não deve ser, simplesmente, oferecer o medicamento no balcão”, lembra Claudia. “Ele tem um papel fundamental para o sucesso de um tratamento, e uma das funções é orientar o paciente a tomar corretamente o medicamento, evitando desperdício e prejuízo à saúde dessa pessoa”, completa.

Em relação ao uso racional dos medicamentos no tratamento específico de soropositivos, as pesquisadoras não vêem nada diferente do que ocorre em outros casos. Para Claudia, aliás, questões que acontecem em torno do tratamento do soropositivo podem surgir em torno de qualquer outro tratamento. Para Vera, porém, no caso da aids, a atenção farmacêutica se diferencia pela especial importância da adesão ao tratamento: “Se o paciente tomar o medicamento de forma inadequada, o vírus pode se tornar resistente à droga. Isso pode trazer um risco à saúde do paciente e da sociedade”, alerta.

SAIBA +
www.anvisa.gov.br
www.opas.org.br/medicamentos
www.inrud.org (em inglês)

 

O que é Uso Racional de Medicamentos

O conceito de Uso Racional de Medicamentos, segundo a Organização Mundial de Saúde, significa utilizar um medicamento de modo a maximizar a sua eficácia e minimizar o risco de reações adversas, a um custo razoável. Ou seja, o uso de medicamentos se torna racional quando os pacientes recebem os medicamentos apropriados para a sua situação clínica, nas doses que satisfazem as suas necessidades individuais, pelo tempo necessário, e ao menor custo possível para ele e para a comunidade em geral.
Fonte: Programa Municipal para o Uso Racional de Medicamentos da Prefeitura de São Paulo.

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