Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.11

12/2007

Vacina contra Aids sem previsão


Passados 25 anos desde que o HIV foi isolado, o desenvolvimento de uma vacina contra a aids ainda é um dos maiores desafios da comunidade científica internacional. Inúmeros estudos estão em andamento no mundo, mas mesmo os pesquisadores mais otimistas afirmam que nos próximos dez anos não teremos uma vacina contra a doença. Outros acreditam que o futuro do controle da epidemia de aids depende única e exclusivamente dos medicamentos anti-retrovirais, cada vez mais eficazes no combate ao HIV.

ESTUDO SUSPENSO
Recentemente, um estudo clínico de vacinas com um produto considerado bastante promissor, o adenovírus 5, foi suspenso por não se mostrar eficaz na prevenção da infecção em voluntários não portadores do HIV nem na redução da carga viral dos voluntários que se infectaram durante o estudo. Segundo o laboratório que desenvolve a vacina, em comunicado à imprensa, “houve mais infecções nos voluntários que receberam a vacina do que naqueles que receberam placebo”. A empresa garante que a vacina não causa a infecção pelo HIV, mas admite que indivíduos com mais anticorpos de adenovírus possam ter uma maior vulnerabilidade. “Estamos analisando os dados para tentar determinar se os resultados se devem a respostas imunológicas induzidas pela vacina, a diferenças nas populações de estudo ou a algum outro fenômeno biológico que ainda não compreendemos, ou se ocorreram simplesmente ao acaso”, diz o comunicado.

VOLUNTÁRIOS INFORMADOS
O médico Paulo Feijó Barroso, pesquisador do projeto Praça Onze da Universidade Federal do Rio de Janeiro, responsável por inúmeras pesquisas de vacina no Brasil, lamenta o resultado do estudo com o adenovírus 5: “Este produto parecia ser muito superior aos demais”, diz ele. “Tivemos um retrocesso de seis a sete anos na linha de desenvolvimento de vacinas preventivas”. Outra pesquisa com o adenovírus como vetor combinado a uma vacina de DNA, o Pave 100, programada para iniciar em 2007, foi adiada após a divulgação deste resultado.

De acordo com o pesquisador, os voluntários da pesquisa no Brasil já estão informados sobre o resultado do estudo e continuarão sendo assistidos pela equipe do projeto, recebendo aconselhamento sobre formas de prevenção e redução de risco de exposição ao HIV.

PREVENÇÃO REFORÇADA
Atualmente, três outros estudos de vacinas estão em andamento no Praça Onze e serão continuados. Dois deles em fase I, com número reduzido de voluntários, para avaliar a segurança, tolerabilidade e a imunogenicidade da vacina; e um em fase II, com um grupo maior de pessoas. Há um outro estudo de fase IIB em avaliação nos órgãos regulatórios. Segundo Mauro Schechter, coordenador do Praça Onze, “nenhuma vacina preventiva estará disponível num futuro próximo. Isto reforça a importância das ações preventivas para a redução dos riscos de infecção pelo HIV”.

Compartilhe