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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.17

10/2009

Vacinar também é prevenir

Conheça as vacinas que os soropositivos não podem deixar de tomar

A vacinação é uma excelente estratégia para evitar a ocorrência de doenças que podem ser prevenidas em pessoas vivendo com HIV/aids. Os infectologistas são unânimes ao afirmar que não há interação medicamentosa com antirretrovirais e que o risco de desenvolvimento de doenças após a imunização é controlado – os principais efeitos adversos são inchaço e vermelhidão no local da injeção. Mas é preciso estar atento aos protocolos de vacinação de pacientes soropositivos, que devem receber cuidados especiais. E sempre considerar o estado de saúde do paciente e avaliar o nível de carga viral e de células CD4.

“Pessoas vivendo com HIV/aids devem seguir as recomendações do Programa Nacional de Imunizações e receber as mesmas vacinas indicadas à população adulta, exceto as compostas por vírus vivos atenuados, que podem provocar o desenvolvimento de doenças em imunodeprimidos, como a da febre amarela, a varicela e a tríplice viral. Outros imunobiológicos, no entanto, são recomendados. São as vacinas contra pneumococo, difteria e tétano, gripe e hepatites A e B”, resume a infectologista Marta Ramalho, médica do Centro de Referência e Treinamento em Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids de São Paulo (CRT DST/Aids).

Hepatite B e gripe
O infectologista Alberto dos Santos de Lemos, coordenador do ambulatório de vacinas em imunodeprimidos do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas da Fiocruz (Ipec/Fiocruz), informa que a dosagem de algumas vacinas deve ser diferenciada para pessoas vivendo com HIV/aids. “A vacina contra hepatite B é recomendada para pessoas com até 19 anos. Para soropositivos, no entanto, não existe este limite e as doses aplicadas devem ser superiores à recomendada à população geral, num total de 4 doses”, exemplifica. “A vacina antigripal, normalmente destinada a idosos, deve ser tomada anualmente por pessoas vivendo com HIV/aids de qualquer idade”, complementa Alberto.

Marta Ramalho reforça a importância dessas duas vacinas para a saúde das pessoas vivendo comHIV/aids. “A co-infecção pela hepatite B complica o tratamento antirretroviral e piora oquadro de saúde do paciente, pois um vírus torna a evolução do outro ainda mais grave. A gripe também é mais severa empacientes imunodeprimidos e por isso a imunização deve ser feita todo ano”, a médica esclarece.

O papel do profissional de saúde
Respeitar e valorizar as especificidades de cada paciente é fundamental para o atendimento humanizado. O infectologista Marcellus Dias da Costa, coordenador do ambulatório de vacinas do viajante do Ipec/Fiocruz, alerta para a importância de avaliar, em cada caso, os prós e contras de uma vacina para pessoas vivendo com HIV/aids. “Muitos fatores devem ser considerados na avaliação do risco de uma vacina. É preciso analisar cada caso e é justamente este o papel do profissional de saúde”, afirma.

O médico explica que existem imunobiológicos com versões atenuadas de vírus, que estimulam a produção de anticorpos. Essas vacinas são testadas e aprovadas quanto à sua eficácia e segurança, porém, como carregam partículas virais, podem provocar efeitos indesejados em imunodeprimidos – inclusive o desenvolvimento das doenças que deveriam prevenir. É o caso das vacinas contra febre amarela, recomendada a quem viaja para áreas de risco onde há circulação do vírus e possibilidade de contaminação; contra varicela, indicada a adultos que não tiveram catapora na infância; e da tríplice viral (MMR), que previne contra sarampo, caxumba e rubéola.

Avaliar riscos
“Nestes casos, é preciso avaliar qual o menor risco – e isto varia de acordo com a pessoa e a situação que está vivendo. Por exemplo, para um paciente estável, com baixa carga viral e elevado nível de CD4, acima de 350, a vacina contra febre amarela pode ser uma boa opção, se ele for para um local de alta circulação do vírus. No entanto, se o nível de CD4 for baixo e a área for de risco, podemos conversar com o paciente sobre a real necessidade de fazer esta viagem”, Marcellus considera.

Marta Ramalho recomenda que o cartão vacinal dos pacientes seja checado periodicamente, para verificar se alguma dose foi esquecida ou se há necessidade de revacinação. Além disso, os serviços de saúde devem ser ativos na busca por pacientes faltosos e fornecer todas as informações sobre benefícios, contraindicações e efeitos adversos das vacinas.

“Existe resistência e alguns pacientes realmente não querem ser vacinados. Afinal, quem gosta de injeção? Por isso, o profissional de saúde é tão importante neste momento. A partir da conversa e da informação, é possível mostrar a estratégia mais eficaz para a manutenção da saúde”, conclui.

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