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Saber Viver » Saber Viver n.38

12/2006

VIVER e não ter a vergonha de ser feliz

O verso é do compositor Gonzaguinha e poderia ser tema da campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids que este ano divulga o conceito de “Prevenção Positiva”.

Junto com o ditado popular prevenir é melhor que remediar, a campanha estaria completa. Isso porque, reforçando uma série de atitudes, como boa higiene, alimentação balanceada e exercícios físicos regulares, uma pessoa vivendo com HIV/aids terá uma vida mais saudável.

Assim, aumentam as chances de um relacionamento afetivo, de um novo trabalho, de voltar a estudar e planejar filhos. Ou seja, ser feliz! Para a psicóloga Denise Serafim, da Unidade de Prevenção do Programa Nacional de DST/Aids, a Prevenção Positiva passa a idéia de viver a vida com tudo que ela traz de bom, reforçando o cuidado e transformando a pessoa vivendo com HIV/aids em um agente de otimismo para outros soropositivos. “O Ministério da Saúde vai trabalhar este tema em 2007 e pretende intensificar a idéia de prevenção entre as pessoas que já vivem com HIV/aids, atuando também em políticas e movimentos contra a discriminação”.

O assessor técnico do Programa Nacional de DST e Aids, o médico Ronaldo Hallal, acredita que o desenvolvimento técnico, como exames de carga viral, tratamentos com medicamentos mais eficazes e o teste de genotipagem (veja o que é isso na página 7), melhorou as condições de tratamento de quem que vive com HIV/aids. Mas o médico reforça que o avanço da ciência só será realmente eficiente se estiver aliado a uma rede de apoio social e à participação direta de quem vive com HIV nas ações do governo e da sociedade em geral. Segundo Hallal, a Prevenção Positiva servirá para renovar a política brasileira de combate à aids.

Personagens da própria história
Pela primeira vez, a campanha brasileira do Dia Mundial de Luta contra a Aids, promovida pelo Governo Federal, contou com a participação de personagens que vivem com HIV, que ilustraram vídeos para TV e materiais publicitários. Com o slogan “A Vida é Mais Forte que a Aids”, Cazu Barroz, ator carioca de 34 anos, e Beatriz Pacheco, advogada gaúcha de 60 anos, deram depoimentos e falaram da importância de usar camisinha nas relações sexuais e não discriminar os portadores do HIV. Ambos já participaram da Saber Viver, inclusive, Cazu foi capa da primeira revista. Beatriz participou, ativamente, das três edições especiais da Saber Viver Mulher, sugerindo temas, dando depoimentos e incentivando o projeto.

“ Vergonha é ser preconceituoso”
Nascida em Porto Alegre, Beatriz Pacheco vive com HIV há 9 anos. Integrante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/ Aids e do Movimento Cidadãs Posithivas, ela desenvolve ações de prevenção da aids direcionadas a mulheres e a pessoas da terceira idade. Mãe de quatro filhos e avó de três netos, Beatriz aprendeu que não deveria se esconder por causa da infecção: “O HIV não deve ser visto como uma vergonha. Vergonha é ser preconceituoso e não perceber que o que aconteceu comigo pode acontecer com qualquer outra pessoa que não usa o preservativo na hora do sexo”. Junto com o marido, ela diz que foi conquistando novamente o seu lugar na sociedade. “Gritamos para o mundo que as pessoas com HIV/ aids são iguais às outras, são cidadãos com direitos e obrigações e devem ser respeitadas como tal”, desabafa a gaúcha.

Alimentação, exercícios e medicamentos: adesão à vida
Cazu, soropositivo há 17 anos, diz que não abre mão de ser feliz, mesmo que atualmente tenha que mudar o esquema de medicamentos e aguarda o resultado de uma genotipagem para saber se vai poder usar uma nova medicação.
A partir do momento em que soube estar com o vírus, começou a trabalhar como ativista do movimento de aids e, atualmente, desenvolve projetos através da Federação Nacional dos Bandeirantes relacionados à informação e à prevenção. “Faço atividade física para prevenir a lipodistrofia e não abro mão de uma alimentação saudável”, revela.
Cazu conta que, apesar de o relacionamento amoroso ter acabado recentemente, ainda quer amar muito. “Adoro dançar e vou à Lapa (bairro da boemia carioca) sempre às sextas-feiras para sambar e ouvir música”, confessa o ator, afirmando ter adesão à vida.“Acredito que as lutas e os desafios fazem a vida valer a pena”

A professora Regina Lasmar, 46 anos, moradora de Salvador, também se considera aderente à vida: “acredito que as lutas e os desafios fazem a vida valer a pena.Defendo a dignidade humana e a importância do contato com a natureza”. Segundo ela, os medicamentos contra a aids também fazem parte deste pacote. “Eles garantem a vida. Os efeitos colaterais que causam me estimulam a buscar mais informação e a trocar experiências com outras pessoas”. Regina descobriu a infecção pelo HIV há cerca de dez anos. Segundo ela, o impacto da notícia a fez tomar a decisão de assumir a responsabilidade por sua vida. “Tenho filhos, adoro trabalhar como educadora e me relacionar com a comunidade escolar”. Há três anos, ela se integrou à Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids e ao Movimento Nacional Cidadãs Posithiva da Bahia. “Não tenho nenhuma dúvida de que trabalhar, estudar, ser voluntária do movimento social e, ao mesmo tempo, ser mãe, acampar, tomar banho de mar e conhecer o novo, são os combustíveis para a manutenção da minha vida”, finaliza. SV

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