Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Saber Viver » Saber Viver n.44

08/2009

Você é o protagonista!

Pessoas que vivem com HIV/aids tomam a frente na hora de acompanhar e executar políticas para enfrentar a epidemia de aids.

Ao longo de três décadas, o sucesso do triângulo estratégico formado por programas do governo, Organizações Não Governamentais (ONGs) e pessoas vivendo com HIV/ aids consagrou o país como modelo internacional na luta contra a epidemia. Entretanto, muita coisa ainda deve e pode ser feita para melhorar o atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O Movimento Social de Luta contra a Aids entendeu o quão importante é participar do controle social das políticas públicas”, comemora Márcio Villard, presidente do Grupo Pela Vidda/RJ. “Nossa participação mais efetiva tem sido no acompanhamento das políticas de saúde, através dos Conselhos e das Conferências de Saúde”, conta.
Willian Amaral, secretário executivo do Fórum de ONG/Aids-RJ, dá um panorama das mudanças do movimento de aids nas últimas décadas. “No início, o que unia as pessoas era a intenção de encontrar respos tas para uma doença desco nhecida. Compreender o diagnóstico e lutar pelo tratamento”. Ele lembra que com os avanços, sobretudo o aces so universal aos antirretrovirais, as pessoas passaram a fazer planos em médio e longo prazo. “Tiveram início, então, as lutas pelos direitos sociais, o desejo pela maternidade e a paternidade, enfim, a busca por novos caminhos”, ressalta.

O exemplo de São Paulo
“A pessoa vivendo com HIV/aids é o principal sujeito nas políticas públicas para a epidemia. Por isso, o protagonismo é tão importante”, resume Jean Carlos de Oliveira Dantas, diretor do Núcleo de Articulação com Organizações da Sociedade Civil do Centro de Referência e Treinamento em HIV/Aids (CRT-SP). “Pela militância social, o soropositivo torna-se o protagonista de sua história, atuando na construção, manutenção e defesa de políticas públicas”, considera.
Segundo Jean, esta articulação é possível através das reuniões mensais entre usuários dos serviços, representantes da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/ Aids (RNP+), do Fórum de ONG/Aids e do Programa de Aids. Juntos, eles se de bruçam sobre pautas pertinentes ao universo da instituição.

Do movimento para o governo
Um expoente desta história é o atual diretor-adjunto do Departamento de DST/ Aids do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa. Integrante de movimentos sociais mesmo antes de descobrir-se soropositivo, Eduardo colaborou para constituição de diversos centros de discussão e atuação política, como os Fóruns de ONG/Aids e a RNP+. “Sentia que, por ser uma pessoa afetada pela aids, deveria ser protagonista desta história”, conta.
“Nestes espaços em que o controle social existe, a vivência das pessoas com HIV/aids influencia diretamente as ações implementadas pelo governo – e isso é fundamental para que as estratégias de enfrentamento da epidemia funcionem”, reconhece Eduardo.

Novas conquistas
Membro da diretoria do Pela Vidda/RJ, George Gouveia ressalta que, apesar das vitórias, o movimento social passa por dificuldades. “No início, havia uma abundância de voluntários. Hoje, os recursos humanos e financeiros estão mais escassos. Esta realidade exige estratégias alternativas para articulação da sociedade civil, para que seja possível garantir os avanços das últimas décadas e atingir novos objetivos”, George desafia. Eduardo Barbosa acrescenta que, como as necessidades não são mais as mesmas de 20 anos atrás, as ações também não podem ser iguais. “A solução para esta adequação é o diálogo. Por isso, a participação das pessoas vivendo com HIV/aids na formulação das políticas públicas é tão essencial”, sintetiza.

PARTICIPE!
Se você quer participar de discussões que podem mudar a sua vida e de outras pessoas, é hora de colocar a mão na massa! Procure uma ONG (veja algumas dicas na última página) ou ajude a unidade de saúde onde está cadas trado a promover eventos que possam trazer alguma contribuição positiva à vida dos usuários do serviço (veja o exemplo que registramos na próxima página).
Mas se você já é atuante e tem uma boa história para contar, escreva para nós. Sua experiência pode fazer parte da revista e encorajar outros leitores.
Escreva para: contato@saberviver.org.br ou para caixa postal 15.088 – Rio de Janeiro (RJ).
Cep: 20.031-971.

Compartilhe