Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Solução » Solução n.16

12/2006

Você tem preconceito?

Atitudes preconceituosas comprometem o atendimento nas farmácias

Para o exercício pleno de suas atividades diárias, o profissional de farmácia – principalmente aquele que lida diretamente com o público – precisa estar atento para não deixar que atitudes discriminatórias ameacem a qualidade do atendimento prestado nas unidades de saúde.

O alvo do preconceito pode ser uma pessoa de outra raça, cor ou nacionalidade ou alguém que professe uma outra religião ou crença. Há, também, preconceitos contra as diversas orientações sexuais, contra aqueles que vêm de classes sociais distintas e os que realizam determinadas atividades laborais – como os profissionais do sexo. E ainda existe o preconceito contra os que têm alguma deficiência física ou são portadores de alguma doença, como a aids.

Trabalhando com a diversidade
Na ausência de números oficiais sobre o assunto, vale analisar os dados da pesquisa feita em Bauru (SP), com 50 pacientes soropositivos, por Mariana Asselli, da Unesp: 11% das mulheres e 30% dos homens ouvidos revelaram ter sofrido alguma discriminação por parte dos profissionais de saúde. Para a assistente social Mafalda Sparapan, uma das fundadoras da Associação de Apoio às Pessoas com Aids de Bauru (Sapab), ONG que atende parte do público pesquisado, o preconceito existe sim, e da maneira mais difícil de ser trabalhada: camuflado. Em sua experiência, ela relata que muitos profissionais “ainda não estão acostumados a trabalhar com a diversidade”.

A opinião de Mafalda é confirmada pelo chefe do serviço de farmácia clínica do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC), da Fundação Oswaldo Cruz, José Liporage Teixeira. Para ele, o preconceito é fruto do despreparo de profissionais: “É uma deficiência de currículo. Os estudantes não são preparados para lidar com o público”. Defensor da assistência farmacêutica inclusiva, Liporage reconhece que também tinha atitudes preconceituosas no início de sua carreira. “Eu me sentia envergonhado quando atendia um travesti, alguém que pensava, se comportava e se vestia diferente”. Hoje, ele identifica que o preconceito pode se revelar inclusive nos detalhes. “A gente sempre acha que é o paciente que tem que se adaptar, e não o contrário”, diz Liporage

Políticas públicas no combate ao preconceito
Segundo o coordenador nacional do Programa de Humanização do SUS, Adail Almeida Rollo, o problema tem sido enfrentado através da realização de treinamentos que incentivam os profissionais de saúde a adotar práticas de acolhimento durante seus atendimentos, e da implantação de ouvidorias descentralizadas à disposição do cidadão que foi mal tratado. Outra frente oficial de combate ao preconceito é o Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra Gays, Lésbicas, Transgêneros e Bissexuais (GLTB) e de Promoção da Cidadania de Homossexuais, chamado Brasil sem Homofobia. Tatiana Lionço, consultora técnica do Ministério da Saúde, revela que o objetivo dessa iniciativa é conferir visibilidade às demandas dessa população, transformando-as em pautas da gestão de políticas públicas de saúde.

No ano passado, o Dia Mundial de Luta Contra Aids teve como tema no Brasil o combate à discriminação contra os portadores do HIV. Com o slogan “A vida é mais forte que a aids”, foram veiculados filmes para TV, cartazes e folders. A campanha, segundo a coordenação do Programa Nacional de DST/Aids, foi apenas o começo de uma série de ações de comunicação que terão continuidade em 2007. Mariângela Simão, diretora do PNDST/Aids, destacou a importância do combate ao preconceito e ao estigma que envolve a doença: “A discriminação é um dos elementos que mais influenciam o cotidiano de quem possui o HIV”

SAIBA+
Humaniza SUS: www.saude.gov.br/humanizasus 
Brasil sem Homofobia: www.saude.gov.br
O documento reúne um conjunto de metas para democratizar o acesso da população GLTB ao SUS. Neste site, você também encontrará a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde.
PNDST/Aids: www.aids.gov.br

Compartilhe