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Saber Viver » Saber Viver n.37

09/2006

XVI Conferência Internacional de Aids

No Canadá, 26 mil pessoas discutem a epidemia no Mundo. Médicos, cientistas, pessoas vivendo com HIV/aids, jornalistas, representantes de universidades, ativistas e trabalhadores da saúde se reuniram em Toronto,
Canadá, durante a XVI Conferência Internacional de Aids. O evento, ocorrido entre os dias 13 e 18 de agosto, é um dos mais importantes fóruns de debate e atualização quando o assunto é aids. Cerca de 26 mil pessoas de diversos países discutiram ampliação do acesso aos anti-retrovirais, co-infecções entre HIV e outras doenças, novos medicamentos, vacinas, métodos de prevenção, vulnerabilidade feminina e preconceito contra os portadores do HIV, entre outros tópicos importantes na luta contra a aids. “Tempo de Cumprir” foi o tema escolhido desta edição, para reforçar o compromisso dos participantes em fazer cumprir as promessas feitas para deter a epidemia, que atinge 40 milhões de pessoas no mundo.

Novidades na área da prevenção
As pesquisas com microbicidas, um gel vaginal capaz de proteger as mulheres de doenças sexualmente transmissíveis e aids, mesmo sem o preservativo, receberam bastante destaque. Os cientistas acreditam que os primeiros resultados positivos estarão disponíveis em dois anos, e o produto, acessível à população em cinco.
Outra promessa é o estudo com o antiretroviral tenofovir como método preventivo contra o HIV Ele está sendo testado em pessoas não infectadas pelo HIV pertencentes a grupos vulneráveis para a infecção.
A circuncisão masculina foi mais um método preventivo apresentado. A operação, que consiste na retirada da pele que protege a glande do pênis, pode diminuir em até 60% a chance dos homens de contrair o vírus da aids.

Novos medicamentos
No campo do tratamento, as novidades são o inibidor da integrase e o bloqueador de CCR 5, medicamentos de novas classes de antiretrovirais.
Um novo inibidor da protease, darunavir, desenhado para portadores com falhas terapêuticas, já comercializado em países do primeiro mundo, é uma aposta de médicos brasileiros no auxílio à terapia anti-retroviral disponível no país. A boa notícia para facilitar a adesão ao tratamento é a condensação de três anti-retrovirais (tenofovir, emtrecitabina e efavirenz) em uma única pílula.

Aumento do acesso aos antiretrovirais
Durante a Conferência, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um boletim mostrando avanços significativos no acesso aos anti-retrovirais na áfrica subsaariana, região mais atingida pela aids. No encerramento, Stephen Lewis, enviado especial da ONU à África para assuntos relacionados à Aids, acusou os países do G8 (grupo de sete países mais ricos e a Rússia) de negligenciar o combate à epidemia. O grupo prometera financiar o Fundo Global de Combate a Aids, Tuberculose e Malária, mas faltam 500 milhões de dólares para os programas deste ano.
Ativistas reunidos em Toronto realizaram diversas manifestações para chamar atenção para problemas enfrentados pelas pessoas que vivem com HIV/aids. A quebra das patentes dos medicamentos, a redução do preço dos anti-retrovirais, os direitos humanos dos profissionais do sexo e um maior número de médicos e enfermeiros para atuarem no setor foram algumas das reivindicações.

Participação brasileira em Toronto
O Brasil teve forte participação na Conferência. Pesquisadores, representantes do governo e de ONGs apresentaram ao mundo trabalhos desenvolvidos no país em áreas como vacinas, transmissão vertical do HIV, adesão ao tratamento e rede de casais gays.
Para Mariângela Simões, diretora do Programa Nacional de DST/Aids, um dos principais motivos para o bom desempenho da resposta brasileira à aids é trabalhar prevenção e tratamento de forma integrada e contar com um grupo de trabalho formado por representantes da sociedade civil, pessoas que vivem com aids e pesquisadores na formulação de políticas.
Ela aproveitou a Conferência para lançar o tema escolhido pelo Brasil para o Dia Mundial de Luta Contra a Aids de 2006, celebrado em 1º de dezembro. O mote será o combate à discriminação contra as pessoas que vivem com HIV e aids. SV

 

 

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